UNIVERSIDADE DA MADEIRA

GRUPO DE ASTRONOMIA


O ALMA abre os olhos

O ALMA, sigla do inglês Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o observatório terrestre mais complexo abriu oficialmente as suas portas aos astrónomos. A primeira imagem divulgada do telescópio ainda em fase de construção, revela uma visão do Universo que não poderia ser observada por telescópios óticos ou infravermelhos. Milhares de cientistas de todo o mundo competiram entre si para poderem estar entre os primeiros a explorar com esta nova ferramenta astronómica alguns dos mais escuros, mais frios, mais longínquos e mais escondidos segredos do cosmos.

O ALMA é um rádio-telescópio que terá, quando terminar a sua fase de instalação 66 antenas interligadas entre si funcionando como um único telescópio gigante. A rede encontra-se em crescimento no planalto do Chajnantor, no norte do Chile, a uma altitude de 5000 metros (ver Figura 1). No entanto, e mesmo em construção ainda com apenas 12 das antenas, o ALMA tornou-se já no melhor telescópio do seu tipo.


Figura 1 - Telescópio ALMA, ainda em fase de instalação, no planalto de Chajnantor no Chile (5000m acima do nivel do mar). Créditos: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/W. Garnier (ALMA)
[http://www.eso.org/public/images/eso1137g/]

O ALMA observa o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro, aproximadamente um milhar de vezes maiores que os comprimentos de onda da radiação visível. Utilizando estes comprimentos de onda maiores os astrónomos podem estudar objetos extremamente frios - tais como as nuvens densas de gás e poeira cósmicos, a partir das quais se formam estrelas e planetas - assim como objetos muito distantes, situados no Universo primitivo.

Uma das primeiras imagens divulgadas pela equipe do ALMA (em Outubro 2011) foi a das galáxias Antenas (NGC 4038 e NGC 4039) - Figura 2. Estas consistem  num par de galáxias que estão em colisão e que, por isso, apresentam formas muito distorcidas. Enquanto que a radiação visível nos mostra as estrelas nas galáxias, a imagem do ALMA revela algo que não pode ser visto no ótico (ver Figura 3): as nuvens de gás frio denso a partir das quais se formam as novas estrelas. Esta é a melhor imagem no milímetro/submilímetro alguma vez obtida das galáxias Antenas.

A imagem revela enormes concentrações de gás não apenas nos centros das duas galáxias mas também na região caótica onde elas colidem. Aí, a quantidade total de gás corresponde a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol - um reservatório rico em matéria para gerações futuras de estrelas. Observações como esta abrem uma nova janela no Universo submilimétrico e serão vitais na compreensão de como as colisões galácticas podem dar origem à formação de novas estrelas. Este é apenas um exemplo de como o ALMA revela partes do Universo que não poderiam ser observadas com telescópicos óticos e infravermelhos.


Figura 2 - Imagem das Galáxias Antenas obtida pelo ALMA [http://www.eso.org/public/images/eso1137a/]


Figura 3 - Imagem das Galáxias Antenas obtida pelo Hubble Space Telescope (HST) na banda do visível
[http://imgsrc.hubblesite.org/hu/db/images/hs-2006-46-a-print.jpg/]

Fonte: http://www.eso.org/public/portugal/news/eso1137/
 

Laurindo Sobrinho

( Outubro 2011 )


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