Existem perspectivas de se investir seriamente na ciência (Astronomia) em detrimento dos investimentos arbitrários e supérfulos? Quando?
Não em Portugal. Quem gere as verbas do Orçamento de Estado é o Governo. Este é composto por políticos. Estes só fazem o que é "politicamente correcto". E o correcto é ser elegível no próximo mandato. Os planos são, com sorte, feitos para um mandato (quatro anos) e não mais. A Astronomia (e a Ciência em geral) não é considerada prioritária (nem nunca vai ser) num país de telenovelas e futebol. Mais depressa se financia o Desporto (entenda-se, o Futebol) por se poderem garantir bem mais votos nas próximas eleições do que se financiasse a Astronomia.
Mesmo em termos de poder local (Autárquico), onde há algum dinheiro, são raríssimas as Câmaras Municipais que apoiam a Astronomia. Exemplo louvável recente foi o da Câmara Municipal de Portalegre, que apoiou integralmente a construção de um pequeno observatório astronómico. Na Madeira não temos tido nenhuma sorte neste sentido pois nem Governo Regional nem qualquer Autarca se mostrou interessado em apoiar o Observatório Astronómico que temos planeado (e pronto a instalar) desde há dez anos (ver http://www3.uma.pt/Investigacao/Astro/Obs_optico/index.htm).
Quando à Astronomia em geral, a única salvação será se algum dia algum benemérito com dinheiro criar uma Fundação específica para esta Ciência em Portugal. É que até a própria Fundação para a Ciência e a Tecnologia (do Estado) abandonou a Astronomia: os programas que existiram durante o acordo de adesão ao ESO não têm continuidade e, agora, quem quiser fazer doutoramentos ou concorrer a projectos de investigação tem de o fazer na "obscura" área das Ciências da Terra e do Espaço onde, estranhamente, a Astronomia está integrada. Obscura, porque é típico os elementos do júri internacional que avalia os projectos, por exemplo, não saberem nada de Astronomia porque não são da área...