Terra + Sol: posso fixar o Sol no centro e dizer que a Terra anda em torno do Sol. Também posso fixar a Terra no centro e dizer que é o Sol que anda ao redor da Terra. Não tem nada de mal aqui. O conceito de movimento é relativo (isto é, depende do observador) e ambos os pontos de vista estão correctos desde que se indique qual o sistema de referência que estamos a utilizar.
Terra + Sol + Vénus: posso fixar o Sol no centro e dizer que tanto a Terra como Vénus giram em torno do Sol. Temos neste caso o modelo Heliocêntrico. Fixemos agora a Terra no centro. Neste caso temos o Sol a girar em torno da Terra. Vénus, no entanto, continua a girar em torno do Sol. É isto que um observador na Terra pode ver ao longo do ano. É também aqui que falha o modelo Geocêntrico. Não podemos ter Vénus a girar ao redor da Terra!!! O problema do Modelo Geocêntrico não está em colocar a Terra no centro. Isso é sempre possível fazer mediante uma mudança de referencial. O problema está em colocar os restantes planetas a rodar em torno da Terra também. Se colocarmos a Terra no centro (origem) do nosso sistema de referência a Lua e o Sol giram à volta da Terra mas os restantes planetas não (estes giram à volta do Sol). A grande vantagem do Modelo Heliocêntrico é a sua simplicidade matemática. Contudo, quando determinamos, por exemplo, a melhor hora para observar Júpiter ou uma dada estrela a partir da nossa região, estamos no fundo a utilizar o Modelo Geocêntrico.
Consideremos agora o movimento do Sol em torno do centro da Nossa Galáxia: o Sol está a cerca de 28000 anos luz do centro da Galáxia e demora cerca de 250 milhões de anos para dar uma volta completa à mesma. Note-se que ao fazer esta afirmação está implícita uma nova mudança de referencial. Se estamos a falar no movimento do Sol em torno do centro da Galáxia, estamos a supor que é o Sol, que se desloca e o centro da Galáxia fica em repouso. Um hipotético observador no centro da Galáxia veria o Sol a descrever uma órbita mais ou menos circular, acompanhado pelo seu cortejo de planetas os quais descreveriam órbitas em forma de hélice. Como o conceito de movimento é relativo podemos também colocar o Sol no centro do sistema de referência e dizer que é a Galáxia que gira em torno do Sol.
A nossa Galáxia não está sozinha no Universo delocando-se em relação às outras galáxias. Neste caso podemos imaginar o próprio Sol a descrever uma hélice juntamente com as restantes estrelas à medida que a nossa Galáxia se vai deslocando em relação às outras...
Como disse no inicio: relativamente ao trabalho do Dr. Keshava Bhat: não encontrei qualquer referência a este autor em qualquer jornal da área da Astronomia ou da Física. Os resultados científicos para terem credibilidade têm de ser publicados em jornais da especialidade (não apenas em livro ou em revistas comums). A publicação só é possível depois de uma revisão apurada por um ou mais árbitros anónimos especialistas na área. Mesmo que seja ultrapassada esta fase, e o artigo seja publicado, os argumentos defendidos nesse trabalho não passam a ser verdadeiros e aceites de imediato por toda a comunidade científica. Muitas vezes os resultados ou novas teorias são postos em causa com novos argumentos que podem dar lugar a novas publicações, depois de passarem pelo tal processo de revisão. Todo este mecanismo faz com que ao longo dos anos se vão apurando ou rejeitando (consoante os casos) os novos resultados e as novas teorias.