Ao ler meu livro Ciências da Terra e do Universo, reparei que estava escrito para o "tempo de rotação": 23h, 56m e 04s. Resolvi calcular estes minutos e segundos que (não tenho certeza) estamos arredondando. Pelas minhas contas: por dia, ficamos atrasados 3 minutos e 56 segundos. Arredondando, 4 minutos. Por mês, 2 horas e por ano 24 horas. Se contarmos apenas do ano 2000 até hoje, já estamos "atrasados" 10 dias. Estou-me baseando na minha filosofia barata, não tenho certeza destes cálculos, mas talvez, algumas destas mudanças do clima que muitos especulam ser causa do Aquecimento Global, não passe de um erro do nosso relógio e/ou calendário. Eu fiz outro cálculo e vi que este dia de "atraso" por ano não é compensado pelo nosso calendário. (Como fazem com a translação da Terra, ano bissexto). Vocês podem me ajudar a entender isto, por favor?
A questão principal tem a ver com convenções. Nós orientamo-nos pelo Sol, certo? É o Sol que "manda" nos nossos hábitos diurnos e mensais desde que há Homem na Terra. O tempo das colheitas (que mais tarde marca a transição do que chamamos Verão para o que chamamos Outono), o tempo da procriação animal e vegetal (Primavera), etc. E o nascer e pôr do Sol marca o início do dia útil (especialmente onde não há luz artificial). Já alguma vez pensou em fazê-lo agora pelas estrelas? Por exemplo, escolha Sírius e marque as Estações por aí... veria que os anos, realmente, seriam diferentes. Mas ninguem o faz pelas estrelas pelas razões óbvias! Assim, não há um "ano estelar" (ou melhor, há, implicito até na sua questão, mas ninguem fala nele). É que nós nos orientamos pelo Sol! E, pelo Sol, passam exactamente 24 horas entre duas passagens no mesmo local do céu. Por convenção, este local chama-se o meridiano do lugar e está localizado a Sul (ponto cardeal) pois intersecta este ponto no Horizonte. Veja, por exemplo, http://www.if.ufrgs.br/fis02001/aulas/mov_apar_astro.htm. Há um pormenor. É que o Sol vai descendo (ou subindo) também de dia para dia, devido à inclinação da órbita da Terra em torno deste. Mas isso é outra história...
O dia sideral (ou estelar - medido pelas estrelas) é, de facto, de 23h56m, aproximadamente. Este é a duração da rotação da Terra (se pensarmos nesta como uma esfera aproximada no espaço). Mas o dia solar, aquele que gera o ano solar (que´é o que o ser humano utiliza desde há uns séculos), dura exactamente as 24 horas. A diferença explica-se devido à translação da Terra: em cada dia, a Terra anda 1/365 (aprox.) na sua órbita, ou seja, 360 graus/365. Isto corresponde aos tais 4 minutos em cada dia.
Assim, os anos bissextos não surgem pelos motivos que pensa. De facto, surgem para corrigir outros efeitos da órbita da Terra. Se fosse só pela diferença solar/sideral, nunca precisariamos de anos bissextos nem nada do género pois, de facto, ninguém quer saber das estrelas (como se comprova pelo excesso de iluminação nocturna generalizada no planeta: veja, por exemplo, http://visibleearth.nasa.gov/view_rec.php?id=1438).
Quanto às mudanças do clima, embora não sejam a nossa área de especialidade aqui, só lhe posso recomendar que leia o livro "Que futuro?" do professor Filipe Duarte Santos da Gradiva. Essa é a versão científica da questão. Se quiser dar ouvidos a outras versões, é consigo... e com cada um!