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Projecto de Apoio à Conservação da Tartaruga Marinha Caretta caretta no Atlântico Norte

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 TARTARUGA-BOBA ou TARTARUGA-COMUM
Caretta caretta

I: loggerhead sea turtle, E: tortuga boba, caguama, F: tortue caouanne,       A: unechte Karettschildkröte

Identificação

Biologia

Distribuição

Identificação:

Cabeça com 2 pares de placas préfrontais e normalmente uma inter-préfrontal. Bico unguloso mais forte do que em outras tartarugas. Carapaça com uma razão de largura por comprimento de 87±2% (93%-83%). Escudos da carapaça finos, mas duros e ásperos, frequentemente cobertos com cracas. 5 pares de placas costais, o anterior tocando a placa nucal. 5 pares de placas vertebrais e comumente 12 a 13 placas marginais incluindo as póscentrais. Plastron com 3 pares de inframarginais que raramente têm poros. Barbatanas anteriores relativamente curtas e grossas, cada uma com 2 unhas visíveis na margem anterior (explicação da terminologia).

Na Madeira todos os exemplares (salvo alguma excepção) são juvenis com comprimentos de carapaça curvados entre 174 e 675mm (comprimento direito "SCL" de 148-620mm) em comparação ao comprimento médio de animais adultos de 920mm e máximo de 1220mm. Em termos de peso as tartarugas na Madeira pesam entre 0.25 a 32Kg.

Nos juvenis, especialmente nos mais pequenos, as placas da carapaça, principalmente os escudos ou placas vertebrais têm quilhas muito marcadas alongadas em sentido caudal, ficando a carapaça com um aspecto serrado quando vista lateralmente.

O dimorfismo sexual é pouco acentuado, não sendo normalmente possível a distinção dos sexos, especialmente em juvenis. Em adultos os machos têm caudas comparativamente mais longas e o plastrão ligeiramente côncavo.

 

Biologia:

Os adultos têm hábitos costeiros embora possam fazer migrações muito longasque passam por alto mar. Os juvenis e subadultos são normalmente pelágicos, ou seja, habitam quase exclusivamente o mar alto.

O acasalamento acontece no mar, perto das praias de nidificação. No Atlântico Norte as praias reprodutoras encontram-se somente nas costas do norte da América do Sul, Caribenhas e Norte-Americanas. Aproximadamente 90% das tartarugas da Madeira nasceram em praias da Florida, nos Estados Unidos da América. Não há registos de nidificação nas costas europeias atlânticas, ocorrendo, no entanto, no Mediterrâneo, especialmente Turquia., mas também Grécia e Itália e outros.

A postura é depositada quase sempre de noite em ninhos escavados pela fêmea em solo arenoso ao abrigo da maré alta. O tamanho da postura é de 58 a 174 ovos, podendo a mesma fêmea pôr até 7 posturas sucessivas numa época reprodutora activa, cada postura separada por um intervalo médio de 13 dias. Em geral as fêmeas nidificam cada 2 a 3 anos.

O tempo de incubação é de 49 a 64 dias. A temperatura de incubação determina o sexo dos neonatos. A saída dos jovens do ninho acontece de noite, dirigindo-se ao mar aberto. Subdivide-se o ciclo de vida das tartarugas marinhas em 4 fases:

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fase de neonato (os primeiros meses)

fase juvenil pelágica (15-30 anos!! no mar aberto)

fase juvenil costeira (1-2anos)

fase adulta (a partir da maturidade sexual a restante vida)

A taxa de crescimento depende da data de eclosão entre outras variáveis, alcançando os 185 a 200mm de comprimento de carapaça depois de 13-16 meses. As tartarugas mais pequenas capturadas na Madeira têm portanto aproximadamente 1 ano de idade ou menos. A idade da maturação é estimada entre 15 a 30 anos com uma média de 920mm de comprimento de carapaça direito.

 O alimento é bastante variado, sendo os adultos principalmente bentónicos comendo moluscos e crustáceos. Os juvenis e subadultos pelágicos alimentam-se principalmente de celenterados (alforrecas), tunicados e cefalópodes (lulas e polvos).

 

Distribuição:

Tem uma distribuição ampla ocorrendo em todos os mares quentes ou temperados. Com excepção da tartaruga-de-couro é a tartaruga marinha que frequenta águas mais temperadas, tendo sido capturada até "New England" e Argentina. Os juvenis e subadultos capturados na Madeira e nos Açores são na sua grande maioria oriundos de praias reprodutoras americanas, não se excluindo que alguns provenham do Mediterrâneo. Estes animais circulam no sistema de correntes do Atlântico Norte até à maturidade, altura em regressam às costas natais.

Estão descritas duas subespécies: Caretta caretta caretta do Atlântico e Caretta caretta gigas do Pacífico ligeiramente maior. No entanto o estatuto de subespécie parece carecer de justificação genética e anatómica.

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Secção de Biologia Marinha e Oceanografia da Universidade da Madeira

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 Última modificação: 23.09.1998