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Projecto de Apoio à Conservação da Tartaruga Marinha Caretta caretta no Atlântico Norte

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 TARTARUGA-OLIVACEA
Lepidochelys olivacea

I: olive ridley turtle, E: tortuga golfina, F: tortue olivàtre,  A: Pazifik Bastardschildkröte

Identificação

Biologia

Distribuição

Identificação:

A tartaruga-olivacea é por vezes confundida com a tartaruga de kemp (Lepidochelys kempii), devido às suas semelhanças morfológicas. O número de placas da cabeça e da carapaça é semelhante nas duas espécies, embora a tartaruga-olivacea possa apresentar mais do que 5 placas costais. As placas inframarginais nesta espécie também possuem um poro na sua margem posterior. O corpo é menos achatado do que o da sua congénere e a carapaça apresenta as margens laterais voltadas para cima e o topo achatado. Tal como na tartaruga de Kemp, a carapaça tem uma forma quase redonda (a largura corresponde a cerca de 90 % do seu comprimento). A cabeça é subtriangular e mede cerca de 22.4 % do comprimento direito do corpo. Cada barbatana anterior possui 1 a 2 unhas visíveis e as posteriores apresentam duas (explicação da terminologia).

 

Biologia:

Como acontece com outras tartarugas marinhas, existem poucas observações da espécie durante o estado juvenil. Pensa-se que os recém nascidos são dispersos passivamente por fortes correntes e transportados para locais distantes das áreas de nidificação. Anos mais tarde, pouco antes de atingirem a maturidade sexual, começam a se aproximar das áreas costeiras de alimentação e de desova. Os adultos alimentam-se em águas pouco profundas e a sua migração entre estas zonas de alimentação e as praias de desova faz-se ao longo da plataforma continental, utilizando, por vezes, as correntes oceânicas dominantes. Durante a migração, são geralmente observados em grandes grupos, sendo também usual se observar milhares destas tartarugas a flutuar em frente à praia de nidificação. Foi provavelmente a espécie mais abundante de todas as tartarugas marinhas. Actualmente ainda existem algumas praias de desova onde se registam sazonalmente grandes concentrações destes animais. Estas praias estão geralmente localizadas em áreas iladas, algumas delas separadas do continente por lagunas costeiras. As tartarugas-olivaceas agregam-se em frente às praias de nidificação no início do Verão e alguns dias mais tarde, milhares de tartarugas invadem a praia para desovar. Esta "arribada" tem início durante a tarde (quando a areia começa a arrefecer) e aumenta de número até atingir um máximo por volta da meia noite; depois as tartarugas começam a deixar a praia até à manhã seguinte. A desova pode se estender por dois ou três dias e repete-se mensalmente até ao final do Outono. Cada fêmea coloca em média 109 ovos e o tempo de incubação é em geral, de 45 a 65 dias. O acasalamento acontece durante a migração ou perto da praia de desova (antes ou ao longo do período de desova). A maior parte das fêmeas (cerca de 60 %) nidifica anualmente, e embora, utilizem geralmente a mesma praia em anos consecutivos, existem alguns registos de tartarugas a desovar em praias distintas, perto ou afastadas da original. A idade da maturidade sexual é desconhecida. Poser uma das menores tartarugas marinhas, a maturidade deve ser atingida cedo, quando estas possuem cerca de 62 cm de comprimento direito da carapaça.

Como acontece com as outras espécies de tartarugas marinhas, o sucesso de eclosão dos ovos depende directa ou indirectamente das perturbações da praia por acção do homem, de tempestades, inundações, erosão, compactação da areia, invasão por fungos ou bactérias e predação. A hora do dia em que se dá a eclosão também afecta a taxa de sobrevivência dos neonatos: geralmente a eclosão tem lugar entre a tarde e o início da manhã. Fora destas horas, os recém nascidos são mais facilmente predados ou ressecados pelo Sol ou pela areia antes de atingirem a zona da rebentação. Durante o dia os principais predadores são aves e mamíferos. À noite a predação diminui, sendo no entanto, desempenhada por uma variedade de mamíferos nocturnos. Outro tipo de predadores dos ovos e dos recém nascidos, são certas espécies de lagartos e cobras. Outros predadores sempre presentes são os caranguejos, que por vezes se encontram aos milhares nas praias de desova. No mar, as pequenas tartarugas são comidas por aves marinhas e por peixes rnívoros. Durante a fase juvenil, estas tartarugas podem ser predadas por grandes peixes ósseos e por pequenos tubarões, enquanto que os adultos apenas são comidos por tubarões. Os adultos nas praias de nidificação podem ser mortos por cães, jacarés, jaguares, tigres e outros predadores, embora a predação por felinos tenha diminuído acentuadamente nos últimos tempos.

A dieta alimentar dos adultos é variada, embora em algumas zonas possam se alimentar de um único item (por exemplo lagostas vermelhas) durante largos períodos. Noutros locais alimenta-se de uma variedade de invertebrados, de peixes, tunicados ou mesmo de algas.

 

Distribuição:

É uma espécie pantropical que vive principalmente no hemisfério norte, tendo a isotérmica dos 20ºC como limite da sua distribuição. Em águas costeiras continentais, onde se localizam a maior parte das colónias de nidificação, estas tartarugas são frequentemente encontradas a migrar entre as suas áreas de desova e as áreas de alimentação. Raramente ocorre junto de ilhas oceânicas. Os principais locais de desova localizam-se no Pacífico Ocidental (do México à Costa Rica), no nordeste da Índia e no Atlântico (no Suriname). Existem alguns registos da espécie fora da sua área comum de distribuição, quando alguns indivíduos são esporadicamente transportados por correntes e levados para locais tão distantes como o Golfo do Alasca ou a costa noroeste da Nova Zelândia. Embora não existam registos da espécie em Portugal, é provável que, ocasionalmente, possa ser encontrada nas nossas águas.

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Secção de Biologia Marinha e Oceanografia da Universidade da Madeira

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 Última modificação: 23.09.1998