9 de Julho Maubisse
A representante do Governo Português para a Educação, Maria José Carrilho, convidou todos os docentes de português para uma sessão sobre segurança uma das áreas mais sensíveis - com os militares portugueses. Para o efeito tivemos de deslocar-nos às montanhas onde estavam aquartelados os militares que iam orientar a sessão.
Além da apresentação orientada com meios informáticos altamente sofisticados e do almoço oferecido pelas tropas, pudemos saborear a beleza natural das montanhas timorenses. Da pousada avista-se o mundo em redor. É o sítio ideal para compreender o que é “estar no centro do mundo”. Montes, cavalos e uma população com um sorriso mais difícil que na capital caracterizam Maubisse.
10 de Julho Dare: Díli vista de cima
Perto de Díli também há montanhas (UMa38-41). A localidade de Dare é exemplo disso. Os acessos são difíceis e só no local se percebe como é que as populações conseguiram resistir na montanha à ocupação.
Encontra-se em Dare uma instituição cuja finalidade última é o apoio concreto ao povo ou “povinho” como lhe chama Maria de Lurdes Martins, mais conhecida por Manalu. Esta jovem timorense que orienta a instituição fala perfeitamente português e fá-lo com profunda emoção, oferecendo do seu mata-bicho (pequeno-almoço). Reencontram-se vestígios da língua portuguesa em todas as realidades timorenses.
11 de Julho Alunos e salas
O que salta à vista, neste primeiro dia de trabalho com as turmas definitivas, é, sem sombra de dúvidas, os nomes dos alunos. Salvo raras excepções quase parece que estamos em Portugal. As condições de trabalho é que perturbam um pouco: além de outros inconvenientes, as salas têm carteiras e cadeiras extremamente velhas e o pó do giz acumula-se diariamente
.
12 de Julho Biblioteca Xanana Gusmão
A esposa de Xanana Gusmão orientou a abertura de uma biblioteca com o nome do marido. Uma casa simpática perfeitamente limpa acolhe os visitantes que gostam de livros
. As quatro línguas que se ouvem em Timor estão representadas: tetum, português, indonésio e inglês. Numa salinha de estar com mobiliário de bambu, há álbuns de fotografias. O mais tocante é, sem dúvida, o da visita de António Guterres. Além dos aspectos formais, as fotos muito bem tiradas revelam uma familiaridade que cativa o visitante que se sente em casa de amigo a ver fotografias particulares
.
13 de Julho Cortes de energia eléctrica
Frequentemente, tudo deixa de funcionar. Não há água, não se pode tomar banho, lavar roupa. Não há ar condicionado, não se pode estar em casa, sufoca-se. Os cortes de energia eléctrica, relembram-nos a realidade difícil vivida pelo povo timorense.
14 de Julho “Bacalhao abras”
Caso a língua portuguesa não venha a ser língua oficial de Timor Leste, ela deixará vestígios. Um deles será certamente nos restaurantes. Hoje, jantámos “bacalhao abras” uma delícia que, se tivesse azeitonas, se chamaria “bacalhau à Brás”.
15 de Julho Olympia
“O barco”, também apelidado Olympia, é uma embarcação de amplas dimensões que serve de hotel e proporciona os mais variados serviços aos estrangeiros, sobretudo americanos da ONU -UNTAET, que trabalham em Díli.
Do topo, uma esplanada permite saborear um momento de descanso que corta com a realidade quotidiana. Ver Díli e os arredores, montes e vales iluminados pela luz diamantina do sol, é emocionante. Vistas de cima as encostas assemelham-se ao dorso do crocodilo que, diz a lenda, deu origem à ilha de Timor.