Archive for the 'No Comments' Category

A minha mãe será eterna

Tuesday, March 25th, 2008

Quero que todos saibam que a minha mãe comemora hoje, 25 de Março, 85 anos. E teve uma surpresa. Três primas da “terra” de Trás-os-Montes, filhas da prima verdadeira Alcinda (já falecida), com vidas de trabalho entre França, Espanha e Brasil, todas com experiências de fuga na fronteira portuguesa ao tempo da ditadura, resolveram fazer-lhe uma surpresa. Três mulheres meteram-se num avião e vieram ao Funchal ver “a tal prima Adelaide” que um dia deixou as serranias primeiro para Lisboa e mais tarde, por amor, embarcou para uma ilha. As primas que aqui chegaram, hoje, vieram cumprir uma promessa feita à mãe Alcinda antes desta viajar para o mundo dos que não voltam.

E elas vieram. Neste momento, somos cinco mulheres a ouvir histórias do passado. Sentadas. A provar um folar caseiro lá da ”terra”, uns enchidos que a ASAE não apanhou. Fiz um interregno e deixei-as trocar saudades. Há registos que não partilho. Porque nasci depois. Noutro local a meio do mar. A minha mãe, que será sempre eterna, que me apetece pegá-la ao colo só para ela responder “julgas que estou velha”, tem uma memória de elefante. Sou filha desta cultura feminina com cheiro a fumeiro. Há uma força que lhes sai das veias como se um calor se soltasse depois de uma noite gelada.

Sinto-me de regresso a casa. E não sei porquê.

Lilia Bernardes

 

Quase iguais

Tuesday, January 29th, 2008

O comportamento dos políticos, dos partidos, não difere muito uns dos outros. As reacções são sempre muito idênticas em relação sobretudo aos jornalistas. E porquê? Porque acham que há sempre jogos por trás do pano. Porque acham que o jornalista deve estar sempre de um lado. Há dias, Pinto Balsemão dizia na SIC que os média não deveriam ser o tal 4ª poder, mas sim um contra-poder. E esse contra-poder significa “o outro lado” das coisas fossem elas Laranja, Azuis, Rosa ou Vermelhas. Eis a diferença. Estar a “soldo de” é igual em todos os sentidos. Sentidos que devem estar despidos de emoção, de afinidades pessoais, de cumplicidades. Razão porque esta é uma profissão solitária que diariamente nos coloca perante o que de melhor e pior há no Homem. Afinal, são quase todos iguais.

Lilia Bernardes

2008 é um ano redondo

Saturday, December 29th, 2007

Não percebo nada de numerologia mas há números e números. Acho 2008 uma sequência bonita. Com uma única aresta. Ele é redondo, gordinho. Apetece deixar-se levar, escorregar pois parece que ampara as quedas. Tem imagem de ninho, de aconchego.

É, assim, que vou olhá-lo.

Lilia Bernardes

Conversas de Natal

Sunday, December 23rd, 2007

Cheira a carne vinha d’alhos nas ruas que circundam o mercado dos Lavradores. Quatro homens bêbados dormem de cara roxa ao sol de Dezembro anestesiados pelo grau álcool. Gente acotovela-se numa pressa de fim de mundo. Vou devagar, tão devagar que ouço conversas baixas. Dois homens com perfil de aposentados falam dos bens e males da vida. Dois casados. Pelo visto viúvos. Um deles perdia-se de arrependimento por, naquela altura da vida ter voltado a viver com uma mulher que só lhe dava chatices. Farto não sei bem de quê desfilava desânimo ao amigo. O outro, nunca saberemos se é verdade, responde-lhe com aquele ar que amarfanha ainda mais quem se lastimou.

«Eu arranjei uma senhora (reparem uma Senhora). Mas eu não dependo dela. Nem ela de mim. Cada um tem o seu dinheiro», disse.

Desinteressei-me da conversa. Dinheiro, é isso. O que afasta e o que une. Nesta altura do ano, porque é Natal, todos os sinais são evidentes. Mas é tão bom poder dar um presente a quem amamos desalmadamente. Uma filha. Uma mãe. Uma irmã. Os amigos que nos acompanham ao longo da vida. Aqueles a quem podemos confiar alegrias e fragilidades.

Aos meus companheiros de blogue. A amizade que nos une. Adoro-vos. Publicamente.

BOM NATAL A QUEM NOS LÊ.

Lilia Bernardes

Derrocada nos Socorridos - Tâmega 22/11/07

Sunday, November 25th, 2007

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Roberto Xavier

Black & White

Friday, October 19th, 2007

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Autor: Jürg Christandl - www.christandl.com

Roberto Xavier

É andar e aviar

Tuesday, October 16th, 2007

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Este “Aviso Importante” está colocado numa montra de um café luso-venezuelano no Funchal.
Aqui o lema é produzir e angariar ao máximo. Nada de brincadeiras ao serviço.

Estas pessoas parecem ter parado no tempo, desde a sua maneira de agir à sua maneira de vestir e comunicar. Fica por perceber em que momento exacto pararam.
Tudo parece ser muito penoso. Insistem manter o estatuto de emigrante independemente do local onde estejam. Tudo requer muito esforço e trabalho árduo. Vida pessoal e lazer nem pensar.

Estas atitudes de emigrante contrariado não se ajustam à ”Madeira Nova”.
As pessoas que regressam, apesar para a maioria a Madeira lhes dizer muito pouco, devereriam repensar e alterar determinados comportamentos, senão para todos os efeitos não irão passar de emigrantes na sua própria terra.

Deixem as panaderías e as bottlestores para trás porque “águas passadas não movem moínhos”

Roberto Xavier

Levada por um fio de papagaio de papel

Thursday, September 6th, 2007

Tenho vertigens. O suor molha-me as mãos com a aproximação do abismo. Não chego a uma janela de um 10º andar. Fico pálida e o coração solta-se numa taquicardia absurda. Mas gosto de voar de avião. Sobre as nuvens. E olhar lá para baixo. Quando pequena colava papel colorido - comprado na venda do sr. Jaime - recortado em triângulos em paus talhados de cana vieira. Mas a aerodinâmica dos meus papagaios estatelava-os no chão de pedra de calhau rastejando alguns metros sobre a “bolsa de pastor” uma ervinha milagrosa para a febre das crianças.

Fiz notícia. É a minha profissão. Mas custou-me explicar uma morte aos 22 anos levada por um fio de um papagaio de papel.

Será este o sentido da vida?

Lilia Bernardes

 

Para que servem alguns blogues

Tuesday, August 14th, 2007

Há dias apeteceu-me e fiz o teste. Coloquei o meu nome no google e apanhei uns textos anónimos muito madeirenses. Até têm sotaque pois a origem dos blogues é clara: made in região. A má-fé, inveja, processos de intenção, as tentativas de rotular o meu trabalho jornalistico, as tontices e idiotices são um passeio cansativo - há, inclusive, quem tente falar por mim dizendo coisas que eu nunca afirmei - pois são mal humorados e falta-lhes ironia. Um bom indício de que, afinal, algumas páginas não servem para nada.

Mas isso eu já sabia. Faz parte da formatação. Tenho uma vantagem. Para mim os fantasmas nunca existiram. Continuem. Não terei pachorra para acompanhá-los. Portanto, deixo-os anonimamente sós. Como qualquer pessoa de carácter sabe que um sem rosto ou um pseudónimo não identificável não valem nada. A não ser para o júri dos jogos florais mas só até abrir o envelope lacrado para dizer que venceu o autor do texto sobre o bibelot do carrinho de bois.

Lilia Bernardes

Terminal

Saturday, August 4th, 2007

Um aeroporto de terceiro mundo era o que parecia ontem ao fim da tarde o célebre terminal em Lisboa para os voos com destino à Madeira.
Centenas de passageiros com lugares comprados e confirmados ficam num ápice sem lugar. Depois de muito esperar na lenta e gorda fila do balcão de voo os passageiros são surpreendidos com o cancelamento do seu voo e encaminhados para o balcão de vendas para mais uma longa fila.
Tão longa que ultrapassa o horário do Terminal.
O Terminal fecha.
Transferem-se os passageiros para as antigas instalações. Oferece-se mais umas horinhas de fila a ver se chegam ao balcão para lista de espera do dia seguinte, claro!
Umas acções bem trabalhadinhas talvez dessem umas indemnizações engraçadas e aprendiam a ser modernos e de primeiro mundo.
O que se passa não é novo. É mais do mesmo. Um banho do melhor que há em Portugal quando se quer chegar à Madeira.
Roquelino Ornelas