Archive for September, 2006

Madeira?!? Where is Madeira?

Sunday, September 24th, 2006

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Diariamente recebo por email newsletters de operadores turísticos. Estes anunciam oportunidades fantásticas e de last minute para fazermos aquela viagem de sonho ou até mesmo uma “escapinha” a uma capital europeia a preços excelentes. Começo já a colocar a hipótese de aproveitar uma dessas oportunidades fantásticas.
Num olhar mais incisivo, à procura de pormenores, reparo no asterisco que se segue aos preços. Afinal, os preços não incluem taxas e, pior, são apenas para partidas de Lisboa ou Porto.
Rapidamente caiem por terra todas as expectativas que foram criadas nos últimos minutos. Lembro-me que tenho de acrescentar ao preço excelente mais 200 Euros para a viagem Funchal-Lisboa-Funchal, de modo a aproveitar a “oportunidade fantástica”.
Lá tenho de adiar essa viagem, que já estava sendo planeada, e aguardar por melhores momentos ($) para fazer esta travessia do Atlântico.

Conheço várias pessoas que vivem no continente e que frequentemente aproveitam um fim-de-semana prolongado para ir a Frankfurt por 75 Euros ou a Londres por 50 Euros ou até a Barcelona por 25 Euros. Fico a pensar que por este preço nem ao Porto Santo vou…

Será que a nossa sentença, pelo facto de sermos ilhéus, é não podermos alargar os horizontes para além daquela linha que vemos?

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Este meu desabafo foi impulsionado pelo artigo do Dr. Sérgio Marques: Que modelo de transporte aéreo?, publicado no Diário de Notícias da Madeira de 24/09/2006.
Aconselho a leitura deste artigo porque é exposto o verdadeiro cerne da questão.

Todavia, os últimos desenvolvimentos não são favoráveis para alterar o panorama actual. As técnicas do lobby são sempre as mesmas: elimina-se ou abafa-se as ameaças. Por um lado a Air Luxor não aguentou e desistiu da rota Funchal-Lisboa-Funchal, por outro a TAP compra a Portugália e a SATA continua a se rebaixar pelas vias do code-share.

O que é feito da imprescindível concorrência de um mercado saudável?

Não exigimos ser o “povo eleito” mas também não admitimos ser portugueses de uma casta inferior.
Queremos apenas igualdade de oportunidades e que se deixem de desculpas.

Roberto Xavier

Política - à vol d´oiseau

Sunday, September 24th, 2006

pomba_da_paz_picasso.jpgA revisão da Lei de Finanças Regionais está na ordem do dia e poderá marcar de forma dramática os próximos tempos. O extremar de posições podem relegar para um secundaríssimo plano os bons propósitos desta iniciativa legislativa por culpa de paixões e modos de agir. Os excessos de linguagem e também de zelo, na contagem de passivos de toda a ordem, poderão ser a árvore que esconde a floresta.  Era importante que assim não fosse, mas, definitivamente há uma geração a quem vai faltando entusiasmo para dar testemunho objectivo da importância da autonomia política como conquista e marco histórico. Perdeu-se na sucessão de dias, meses e anos algum espírito de reflexão, análise crítica e exercício de cidadania. À geração que nasceu dentro desta realidade autonómica, colocam-se problemas e desafios diversos. Desinteressaram-se, objectivamente, da coisa pública que a política é.  De nada vale dizer que há sempre mais marés que marinheiros. Acho que corremos o risco de ficar no calhau a limpar os cacos da levadia e a apurar com quantos paus, ao fim e ao cabo,  se fazia a canoa, esquecendo o fundamental: que navegar é preciso.

Roquelino Ornelas  

 

Chavez em Nova York

Friday, September 22nd, 2006

Chavez

Hugo Chavez foi às Nações Unidas falar dos progressos da “ sua” Revolução Bolivariana que tem sete anos e um role de conquistas formidáveis segundo diz.
Desconfio que o estilo e a forma, adoptados por Chavez, nesta 60ª Assembleia das Nações Unidas, provocaram um ruído tal que serão poucos os que deram atenção ao conteúdo.
Chavez, fez umas macaquices que terão envergonhado milhares e milhares de cidadãos venezuelanos, incluindo os ditos Chavistas.
O estilo do presidente venezuelano é conhecido. Tivesse adoptado aquela perfomance num dos seus intermináveis programas que são difundidos em cadeia nacional e a coisa passava, agora ir ali àquele sítio e insultar, fazer cruzes e manifestar crendices à mistura com citações de Noam Chomsky, foi do mais grotesco que vi.
Como alguém dizia é mais um número de stand up comedy que o discurso de um estadista. 
“A Terra gira ao contrário, os rios nascem no mar….”

Roquelino Ornelas

Vai um filete de espada? Uma ova?

Tuesday, September 19th, 2006

Não. Não vai. Segundo as últimas notícias o peixe-espada preto, o tal da polémica do metilmercúrio, e das análises laboratoriais que estiveram na gaveta desde os anos 80 e só vieram para as páginas do jornais quando uma equipa multiciplinar coordenada pela Universidade de Sienna resolveu incluir a população de Câmara de Lobos no estudo sobre a acumulação do metal nas grávidas e crianças.

Afinal, parece que o peixe-espada resolveu fugir. Também eu o faria, se pudesse, e vivesse a 1500 metros de profundidade. Mas vivo à tona.

Isto é como o esturjão. Não há caviar que chegue. Ao nosso chamaram-lhe «ovas» o que, se pensarmos bem, não é mais do que provocar um aborto (à espada) matando a descendência.

Sendo assim, não entendo o espanto da escassez. Durante anos a fio, fez parte do menu regional comer «placenta» e promessas de crias.

Agora, não imagino o turismo da Madeira sem filete de espada. Se a crise chega ao milho frito, (o atum há muito que entrou em derrapagem), e à espetada (as vacas loucas iam prejudicando a sua comercialização), ficamos com o bolo do caco com manteiga de alho. Um cartaz para vampiros. Mas esses comem tudo….

Lilia Bernardes  

O Sol quando nasce é para todos

Sunday, September 17th, 2006

O Sol

A partir de agora todos os fins de semana serão de “Sol”. Se houver concurso para uma frase publicitária, esta será a minha proposta.O novo semanário português vendeu-se bem e sem brindes, como gosta de dizer José António Saraiva, o seu director. As últimas informações revelam ter sido um sucesso, a venda dos 128 mil exemplares da edição número 1. A novidade faz sempre muitos fregueses. Cativá-los, fidelizá-los é outra coisa. Pela parte que me toca, gostei do produto e acredito ser possível continuar com qualidade.

Claro, sucinto e moderno na sua linha editorial, com profissionais de mérito, um interessante conjunto de estagiários, colunistas de nome sonante e accionistas de mente arejada, o projecto “Sol” tem condições para marcar o seu espaço próprio.  

Já me esqueci até das reticências iniciais em relação ao título. Só me lembrava do inglês, “The Sun”. Não havia necessidade de copiar, pensava. Ainda por cima quando há pouco tempo se assistiu à morte do Independente, também ele, dizia-se, inspirado noutro jornal inglês. Melhor sorte pois para o nosso Sun.  

Roquelino Ornelas

À moda do Pacto

Saturday, September 16th, 2006

Um dia acorda-se e eis que o governo deste país anuncia, que durante a noite, pariu mais um pacto (com o PSD) abençoado pelo patriarca do bloco central, Cavaco Silva. Ainda alguém tem dúvidas de que o actual Presidente da República vai intervir como se de um regime presidencialista se tratasse? Mas falemos da cesariana planeada há muitos meses, clandestinamente. O erro está na gravidez escondida aos olhos do povinho, aquela massa anónima conhecida por eleitores e contribuintes.

A maioria socialista pode fazer os acordos com os partidos que bem entender. Não pode, a bem da democracia, torná-los secretos.

O primeiro-ministro deveria ter dito ao País que estava a negociar com o PSD um Pacto para a Justiça, ou seja, que estava noivo…antes de declarar que tinha acabado de casar. Não estamos em Las Vegas. 

Agora, por dá cá aquela palha, vai-se buscar o Pacto. Todos querem unir os trapinhos numa capelinha de beira de estrada apadrinhada por um personagem contratado para o efeito.

Esta semana tivémos o CDS/PP Madeira a desafiar o PS de Sócrates e o PSD de Marques Mendes - abençoados pelo Chefe de Estado - a enfiarem a aliança a bem da nova lei de Finanças Regionais.

O conselho regional do PSD/M, realizado hoje, não vai tão directo ao assunto mas fala de «consenso alargado» por causa do «garrote» que o atormenta.

Se isto fosse no Brasil, muitas crianças seriam baptizadas, a partir de agora, com o nome «Pacto da Silva». Mas como no português do Brasil o “c” foi abolido, tornar-se-iam, tal como nós, «Patos da Silva».

Lília Bernardes   

Não quero mais sacos de plástico

Friday, September 15th, 2006

O dia amanheceu chuvoso e com um pouco de vento. Logo pela manhã, ainda ensonada, abro a porta e vou ao “terreiro” buscar os jornais enquanto a máquina pinga a água quente para o pó negro do café que irá abrir-me os olhos antes da primeira leitura.

E sou surpreendida. As páginas da Imprensa regional do meu dia - um diário e um semanário - corriam por entre as plantas em pleno voo picado e molhado misturando-se umas nas outras enquanto o meu cão rafeiro tentava agarrá-las com os dentes sem cáries. Uma ginástica matinal canina que me deu problemas de consciência em termos de comparação de mobilidade. Pedaços de papel rasgados foram sendo amontoados ao acaso quando, de repente, vejo, colados ao chão, dois sacos de plástico rectangulares iguais, com a mesma publicidade, atirados por quem distribuiu aquelas folhas soltas. Ou seja, jogou os jornais e depois os sacos que deveriam protegê-los da chuva e de cenas destas.

Concluí, entretanto, que esta não foi a única vez. A graça voltou a repetir-se. Jornais para um lado, sacos de plástico para o outro. Acham que esta história faz sentido? Faz, sim mas não se atrevam a contar mais anedotas de portossantenses e de alentejanos. Isto passa-se no Funchal.

 Lilia Bernardes

A arte da distorção

Thursday, September 14th, 2006

Não ouvi ninguém criticar os bombeiros. Antes pelo contrário, incluindo os partidos da oposição, todos reconheceram o papel fulcral destes homens e mulheres.Não fossem eles e os fogos na Madeira teriam tido proporções inimagináveis.

O que eu ouvi, sublinho, foram críticas à falta de prevenção, à ausência de limpeza das matas, à necessidade de uma observação permanente sobretudo quando as condições atmosféricas anunciadas são propícias aos fogos florestais, ou seja, temperaturas acima dos 30º, algum vento e humidade relativa abaixo dos 20%.

Declarar publicamente que os partidos da oposição, como fez o Dr. Alberto João Jardim - disseram mal dos bombeiros para depois apontar o dedo a esses «bandalhos» (leia-se oposição) é, no mínimo, manipulação para desviar as atenções dos verdadeiros responsáveis. Isto é má política. As pessoas não são burras.

O mesmo está a acontecer com a revisão da Lei das Finanças das Regiões Autónomas. Os cortes, a haver, não serão assim de tanta monta.

Os cortes de verbas a sério, esses sim, virão dos apoios comunitários consequência da saída da Madeira das regiões de Objectivo I. Mas desses ninguém quer falar porque os que se armaram em ricos preferem esquecer o que disseram na altura quando Bruxelas anunciou que o PIB per capita da Madeira ( ou seja, a riqueza por habitante) tinha ultrapassado a média comunitária.

Será que ao fim destes anos todos, o PSDM acha que os madeirenses ainda vivem no tempo da canga? É falta de inteligência achar possível manter o mesmo modelo. Os tempos mudaram mas o discurso é cópia da cópia de 30 anos. A estratégia está denunciada por manter-se igual, virgula após virgula. Nada de novo. A não ser cansaço.

Não mudem a agulha e verão as canas a arder.

Lilia Bernardes 

Quando o fogo está ao pé da porta

Tuesday, September 12th, 2006

Incendio no Canico - 5 Setembro 2006
Foto: João Ornelas

Soprou vento leste e agora, no rescaldo, impõe-se reflectir. O último leste foi particularmente seco e favoreceu a propagação de uma série de fogos. Não lhe chamo florestais porque na sua maioria não o foram. Devoraram, isso sim, o matagal que anda a tomar conta de fazendas por aí, entre casas de várias gerações e proporções. 
No Caniço, um incêndiozinho em matagais na zona alta transformou-se num ápice num verdadeiro pesadelo e varreu toda a freguesia. Um inferno indescritível. O crepitar do fogo nas folhas de silvado, no feno e nos loureiros. Os estalos dos tubos das canas vieiras, os gritos de gente que pensou que em minutos perdia tudo.  Por obrigação de ofício já estive em vários incêndios. Em zonas urbanas e em zonas rurais. Esta experiência envolveu-me de forma diferente. Não estava lá para fazer reportagem, estava no meu canto. Serviu até para apurar que nestas situações não há fronteiras nem partilhas. O problema é plural, verdadeiramente colectivo. Agora o fogo passou. Até os medrosos e os desinteressados dão palpites. A descoberto ficaram paredes de poios, tapadas há décadas por bardos de silvado e ervas, ribeiros entupidos com canaviais, casas que se encolheram. Até a tenda de um ferreiro que havia no sítio voltou a fumegar. 
Como se vai organizar a prevenção. Interrogamo-nos. Não tardará muito, a natureza fará brotar de novo mais combustível. Para o próximo incêndio. 
A forja do ferreiro poderá voltar a acender (Se até lá não surgir um prédio de vários andares) neste bocado de encosta.

Roquelino Ornelas