Archive for November, 2006

Flexi quê?

Tuesday, November 28th, 2006

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Começo a ficar preocupado.

O Governo quer importar do norte da Europa um conceito que se chama flexisegurança. Eufemismo que significa liberdade de despedir trabalhadores com a promessa de uma segurança social reforçada. De repente a segurança social ficou apta a dar suportes e garantias de jeito. O conceito parece ter sido um sucesso na Dinamarca e na Holanda, dois países que têm tudo a ver com o nosso….

Graças a Deus só ouço protestos contra esta ideia peregrina. Mas não me admiro que depois, em vez desta ideia estapafúrdia se invente uma outra menos exuberante mas nem por isso mais equilibrada.  Isto está a ficar perigoso.

RO

‘As’ percepções e ‘a’ realidade

Monday, November 27th, 2006

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Por uma coisa ou por outra, os políticos por vezes tropeçam no palco político. Parece que se está a tornar moda estes tentarem justificar as suas politiquices através de obras literárias. Já lá vão dois este ano.

Primeiro foi o filósofo Manuel Maria Carrilho, que desabafou as angústias ao longo de 208 páginas no livro “Sob o Signo da Verdade”. Agora é a vez de Pedro Santana Lopes (PSL) com o livro “Percepções e Realidade”. Pela fugaz leitura consegui perceber que é um muro de lamentações e de muitas percepções e realidade apenas do ponto de vista do autor, parecendo querer alcançar a compreensão e o perdão.
Há que destacar o álbum fotográfico que consta no meio do livro, que expõe o árduo périplo que PSL teve na sua governação abreviada…

Nem que seja para o registo histórico valerá a pena ler o livro de PSL, visto que retrata um dos períodos mais levianos da política portuguesa.

É caso para dizer: Pedro, não voltes, não estás perdoado!

Roberto Xavier

Bem-vinda Fnac

Wednesday, November 22nd, 2006

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Um investimento de 3,5 milhões de euros, 1860 m2, 80 novos postos de trabalho e 79 000 mil referências de livros, CDs, filmes, software, consolas e jogos, som e imagem digital, micro informática e telecomunicações, são alguns números que concretizam a Fnac Madeira que abrirá portas ao público a partir de amanhã no Madeirashopping.

A Fnac não é apenas uma área comercial, é mais do que isso. Tem a capacidade inteligente de aliar a cultura, o lazer e a resposta ao consumo frenético num só espaço. É uma marca de referência no quotidiano de muitos portugueses e é reconhecida por promover a cultura.
É sabido que o grupo Fnac estabelece requisitos exigentes para se instalar num  determinado local, logo a escolha da Madeira demonstra que existe potencial para se tornar um dos centros mais cosmopolitas de Portugal.

Para marcar a abertura deste espaço os The Gift irão proporcionar um showcase hoje e amanhã, onde apresentarão o seu novo álbum “Fácil de Entender”.

Roberto Xavier

“And the winnner is…”

Wednesday, November 22nd, 2006

bobs.gifA capital alemã foi o palco escolhido para o International Weblog Awards 2006, que decorreu no passado dia 11 de Novembro. Este evento é promovido anualmente pela Deustche Welle.

Cerca de 5500 blogs entraram na corrida para angariar um lugar no pódio numas das categorias. Nesta competição “desfilaram” blogs em dez línguas: alemão, inglês, chinês, espanhol, francês, holandês, persa, árabe, russo e português.

O grande vencedor foi o blog norte-americano Sunlight Foundation, que tem como objectivo aproximar os cidadãos à política dos EUA.

O blog Garotas Que Dizem Ni alcançou o 1º lugar a categoria de Melhor Weblog em português. Este blog revela desabafos e gostos das três autoras: Vivi, Flá e Clara.
A lusofonia foi representada por um dos membros do jurí - Soninha Francine, jornalista e deputada.

Site Oficial:
http://www.thebobs.com

Roberto Xavier

Graber à Visão

Friday, November 17th, 2006

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O poder da imagem. O papel dos media na sociedade moderna. As mudanças de mentalidade. Tudo isto na entrevista de Doris Graber à última edição da revista Visão.

Não conhecia a autora. Sei agora que gostava de ter sido jornalista mas que acabou por dedicar-se à investigação e ao ensino universitário.

Graber veio a Lisboa para participar num seminário do Centro de Investigação Media e Jornalismo. Na entrevista à  Visão fala da realidade que conhece; a norte-americana, mas é um pouco o que se passa no resto do mundo, ainda para mais em tempo de globalização.

A vira-volta nas recentes eleições, a censura nos media por causa da guerra no Iraque, os papeis que a televisão e os jornais desempenham em função dos novos meios. A  investigadora tem aliás obra publicada sobre o papel da televisão na era da internet.

Do que li destaco que a televisão continua a ser a principal fornecedora de informação para os americanos mas que os jornais continuam a marcar a agenda e a contextualizar os acontecimentos auxiliados agora pelas edições on-line e pelos blogues que servem para promover interactividade.

A importancia da imagem como forma universal de comunicação merece igualmente referência. Doris Graber recorreu á neurobiologia para estudar as formas de processamento da linguagem verbal e visual.

Muito provávelmente daqui a um mês só me vou lembrar que li qualquer coisa sobre os estudos de uma investigadora norte-americana concluindo que o histórico debate entre Nixon e Kennedy, de há quatro décadas atrás, foi perdido não pela força dos argumentos mas pela força da imagem. Nixon suou e isso não faz boa imagem. Uma boa imagem vale mesmo muitas palavras. Não é a conclusão, esta os chineses já tinham “inventado”.  Gostei do que li, daí estas notas e a sugestão de leitura.  Mais pormenores, na Visão, num quiosque perto de si…

RO

Duralex

Wednesday, November 15th, 2006

Sem surpresas, acaba de ser aprovada na Assembleia da República a Lei de Finanças Regionais. O diploma ainda tem caminho pela frente e há mais vida para além do orçamento, como disse uma vez um presidente…. 

Se tivesse dúvidas em relação aos propósitos centralistas encapotados da lei elas dissipavam-se esta tarde ao ouvir o debate na Assembleia da República. Bastaram os argumentos de última hora de proponentes e apoiantes. Do ministro ouviu-se um fundamento novo: a referência explícita à bondade do diploma para evitar disconformidades com o Tratado da União Europeia ( Uau!…).

De nota e registo foram igualmente as intervenções do Bloco de Esquerda e do PCP e, last but not the least, a intervenção de Mota Amaral. Uma lição, um documento para a história da Autonomia. É de emoldurar e oferecer a muito boa gente… . 

 Roquelino Ornelas       

   

 

“Demokratie uber alles”

Wednesday, November 8th, 2006

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Caiu o muro de Berlim.  Este, foi um título de imprensa, universal, há 17 anos.
Claro que isto só está certo porque os títulos têm de ser assim.  A bem dizer, o muro foi derrubado.
As imagens mais emblemáticas mostram jovens alemães com bocados de cimento colorido e pranchas a tombar.  De protesto.  Muitas mãos, muitas picaretas e muitos martelos pequenos e grandes. Eram sobretudo muitos e determinados.  O muro viveu tempo de mais.   Morreu a 9 de Novembro de 1989, o de Berlim. Ao tempo pensou-se que o mundo aprendera a lição. Afinal é mentira.
Mas que foi um “Festa Pá”, foi.
Invoque-se esse espírito e apregoe-se o fim de todas as prepotências.
Democracia acima de tudo.

Roquelino Ornelas  

O gatilho e o rastilho

Sunday, November 5th, 2006

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Saddam Hussein foi hoje condenado à morte por enforcamento pelo Tribunal Especial. Outra coisa não seria de esperar. Todo o contexto, toda a conjuntura apontava nesse sentido.

O antigo presidente iraquiano era acusado, objectivamente, do  massacre, em 1982, de centena e meia de civis, indefesos, na localidade xiita de Dujail. A mesma pena, morte por enforcamento, foi aplicada ao antigo presidente do Tribunal Revolucionário, a um dos irmãos de  Saddam e ao ex-chefe dos serviços secretos. Agora seguem-se manifestações de rua a favor e contra e é óbvio que o caso está longe de ser encerrado.

A Amnistia internacional já protestou e não foi sequer com fundamentos abolicionistas, o que não surpreenderia, antes sim invocando anomalias processuais do julgamento. Isto é grave e não auspicia nada de bom.

Oxalá me engane.

Roquelino Ornelas

Sorriso Amarelo

Thursday, November 2nd, 2006

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Nos Estados Unidos vive-se em ambiente eleitoral. Na próxima terça-feira, dia 7, os eleitores norte-americanos escolhem uma nova Câmara dos Representantes: Câmara Baixa do Parlamento, 1/3 do Senado (Câmara Alta) e mais de metade dos Governadores de Estado. Não é coisa pouca. 

Quando fundaram a Nação os pioneiros escolheram o que de mais moderno havia em termos filosóficos e políticos no sentido de assegurar a democracia. Nunca como aqui se cuidou tanto do equilíbrio de esferas de poder. É assim que o princípio de separação de poderes de Montesquieu é vertido na constituição com suporte prático num sistema de freios e contrapesos (checks and ballances). Um contributo original na construção da Nação de nações. 

Outro valor matricial - a liberdade de expressão e as consequências desse exercício.  É talvez por isso que hoje, o ex-candidato presidencial John Kerry, milionário e democrata fez as malas e foi para casa. Falando numa escola na Califórnia, resolveu armar-se em graçolas e dizer aos jovens que tinham duas alternativas: aplicar-se nos estudos ou terminar atolados numa guerra no Iraque. O alvo eram os republicamos e Bush mais a sua cada vez mais insustentável política de presença norte-americana no País de Saddam Hussein.  

Foi o bom e o bonito. Os adversários ofenderam-se, acharam que as declarações eram um atentado ao patriotismo dos soldados e às boas intenções americanas. Há muitos que acreditam que o seu País é o farol do mundo uma terra Prometida, a Nova Jerusalém.  Os republicanos não largaram os tornozelos de Kerry. Exigiram um pedido de desculpas – que não veio logo. A Coisa ganhou “foros de cidade” e até os correligionários do Sr Kerry acharam por bem dispensá-lo dos comícios em outros 3 estados. Kerry foi banido da agenda de campanha e num ápice passou de bestial a besta. 

É assim na América.

Roquelino Ornelas

“Diz tudo Alberto !”

Wednesday, November 1st, 2006

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A próxima “grande entrevista” de Judite de Sousa é com Alberto João Jardim. Não é um furo jornalístico mas é oportuno. Hoje, diga-se o que se disser, as agendas dos média organizam-se com métodos mais transparentes. Esta entrevista é verdadeiro serviço público. O Presidente do Governo Regional terá oportunidade de explicar, nomeadamente,  as razões da sua discordância da nova lei de finanças regionais. 

Ao ouvir um dia destes um chorrilho de palpites sobre o que deveria ser dito, lembrei-me de um pregão que era gritado nos primórdios da autonomia em cerimónias públicas. Antes de Alberto João Jardim discursar, alguém gritava da assistência a plenos pulmões: “ diz tudo Alberto!”. Depois, vinha o discurso, colocando na ordem damas e cavalheiros. Foi chão que deu uvas. Hoje os tempos são outros e, estou certo que valerá a pena a entrevista… . 

Roquelino Ornelas