Archive for August, 2007

Os mosquitos chegaram para ficar

Wednesday, August 29th, 2007

Já ninguém fala deles mas eles estão aí. Para ficar e picar com anestesia local.

Começaram em Santa Luzia (como tudo…perceberam) e espalharam-se pela cidade. Este ano invadiram parte de Santa Maria Maior. Há dias, numa farmácia, que reside perto da Rua dos Netos,  escolhia eu um produto junto à montra quando um tipo desses de perna longa tentava aguentar-se nuns sapatos meio-ortopédicos.

Não quero saber o que calçam estes bichos mas quero saber que medidas de saúde pública estão a ser tomadas. É que não basta retirar a tontice do pratinho de aparar a água das flores. A coisa é muito pior. Estão à espera de quê? Do dengue?

Lilia Bernardes

Mais uma volta, mais um prémio

Monday, August 27th, 2007

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A telenovela BCP arrisca-se a perder audiências nos próximos tempos. Assemelha-se às telenovelas da TVI, sempre o mesmo argumento, as mesmas personagens e quando se apercebem que as audiências sobem, aumentam o número de episódios a transmitir e assim o suspense dispara para saber quem vai ficar com quem.

Três assembleias gerais em três meses… E nada resolvido.
Relembro que no dia das assembleias gerais do BCP os títulos deste banco são os que mais valorizam em bolsa.

Será coincidência?

Roberto Xavier 

Acham que isto é mesmo futebol?

Tuesday, August 21st, 2007

O realizador João Botelho e os actores do filme “Corrupção”, baseado no livro “Eu, Carolina” - da autoria da companheira arrependida de Pinto da Costa - sofreram ameaças de morte, anónimas (como é costume), designadamente Nicolau Breyner. Os riscos que a equipa de filmagem corre quando decidir filmar algumas das cenas no Porto parece outro “filme”. O lider dos “Super Dragões” considera que tudo isto «não passa de uma cabala contra o presidente do FCP».

Onde é que eu já ouvi isto?

Mas “isto” é mesmo o país que temos, incluindo os “Estados Federados”, vulgo autonomias, da Madeira e dos Açores.  

Pergunto-me: como terá sido possível os italianos, os americanos e outros, terem feito tanto filme sobre a Mafia?

Lilia Bernardes

Olhe, desculpe!

Saturday, August 18th, 2007

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No final da tarde de hoje, na zona do centromar, um casal de turistas andavam desorientados. Tinham o carro mal parado com os 4 piscas ligados e os filhos no banco de trás. Pensei que precisavam de auxílio por uma razão qualquer. Olhavam para todo o lado à procura de qualquer coisa. Cheguei a pensar se teriam perdido um fillho ou algum objecto de valor.
A senhora mais atrevida abordou-me e perguntou-me: “Olhe, desculpe! Você é de cá?”. A resposta foi afirmativa. E ela retorquiu: “Pode-me dizer onde fica a loja da irmã do Cristiano Ronaldo?” (?!?!)

Fiquei a saber que o património do clã Aveiro passou a ser um local de interesse e a visitar para os turistas continentais.

Ainda pensei perguntar à senhora o seguinte: “Olhe, desculpe! Não prefere ir antes ao Museu de Arte Sacra ou andar nos carrinhos do Monte?”

Roberto Xavier

Cuidado com as borlas nos telemóveis

Wednesday, August 15th, 2007

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As abordagens das operadores de comunicações móveis são cada vez mais ferozes. É preciso estar atento e ter muito cuidado. Contactam-nos a informar que dotaram o nosso cartão de telemóvel com Internet de borla durante 1 mês. Dois dias antes de terminar o mês de borla é recebida uma mensagem a mencionar que essa borla está a terminar e que a partir de então terá o custo de EUR 7,50 por mês.

Ao contactar o apoio a clientes, de modo a desactivar este serviço, avisam que afinal temos de ligar para outro número. Ligamos para outro número, esperamos e esperamos ao som de uma música irritante. Finalmente alguém com uma voz falsamente bem disposta e com o texto bem decorado atende. Após reexplicar toda a situação dizem: “Aguarde um momento que vou passar para o meu colega”. E esperamos e esperamos. Acredito que seja uma maneira de dissuadir os clientes de desistirem dos serviços. Nada é por acaso e eu não acredito em tanta falta de profissionalismo.

Finalmente alguém com disposição e capacidade para resolver o problema está em linha. Descansados, acreditamos que está tudo resolvido.

Coincidência das coincidências: dois dias depois recebemos uma mensagem a referir que o nosso saldo é inferior a EUR 5,00. Como é que é possível levar um arrombo destes sem razão aparente? Contacto atrás de contacto, espera atrás de espera, somos informados que o serviço de Mobile TV (?) foi activado, logo foi feita a respectiva dedução (os tais EUR 7,50) e que deveríamos informar que não queríamos a Internet e o Mobile TV (mas em que parte é que entra este serviço?). Nessa altura os nervos começam em embulição e a vontade para derrapar é crescente.

Conseguem até dar a ideia que nós é que somos os estúpidos e os irresponsávies…

Para compor a pintura não faltou o “Até já!”.

Até já?!?! Espero que seja até nunca mais!

 

Roberto Xavier 

O sermão do senhor Bispo

Wednesday, August 15th, 2007

Estava já o dr. Jardim posto em sossego com a IVG dizendo o mesmo que o sr. secretário dos Assuntos Sociais - a Lei aplica-se à Madeira havendo dotação específica no orçamento de 2008 - eis que, tardiamente, chega o apoio implícito do Chefe da Igreja. Ninguém é tonto para não perceber a homilia de hoje na Igreja do Monte.

O que mais irrita nesta história é a santa hipocrisia. Todos sabem o que se passa por aí, nos consultórios, nas clinicas, nas abortadeiras de vão de escada, na aquisição de medicamentos abortivos, na quantidade de pilulas do dia seguinte vendidas ao balcão, mas…. vale mais fechar os olhos a tudo isso. Fica bem? Eu acho que não. Gostaria de saber quantas mulheres entram nas urgências do hospital com problemas graves provocados por uma IVG feita por uma “curiosa”? Não vale a pena responderem. Estão todos contabilizados com o sendo “hemorragias”.

É como as estatísticas dos católicos que incluem os não praticantes.

Lilia Bernardes

Sentada no “horário”

Wednesday, August 15th, 2007

Comprei um “giro”. Com dez viagens. E vou usando. Dei por mim sentada confortavelmente num amarelo da «Empresa Horários do Funchal» na rota Estrada Monumental - Campo D. Carlos (para quem não sabe é zona velha).

Nestes quinze a vinte minutos percebi que tinha saudades. Dos tempos do liceu quando a minha mãe retirava à força os lençóis para as aulas das 8 da manhã e eu repetia, diariamente, a mesma frase “dá tempo. Ele (o autocarro) ainda vai dar a volta ao Areeiro». Eram os minutos contados de um sono que ainda guardo porque gosto de dormir. Os quinze minutos do Agosto 2007 foram suficientes para recordar a correria pelas escadas abaixo pintando clandestinamente os olhos de pó azul da marca “girl” e enrolando à cintura aquela saia escocesa que me irritava numa “mini” de pernas ao léu. À entrada do Liceu vestiamos a bata branca da ordem estabelecida.

No “horário” encontrávamo-nos todos estremunhados com os livros únicos na pasta e com o coração meio apertado na expectativa de uma chamada surpresa da Dra. Maria de Nóbrega, professora de Inglês. Mesmo assim, riamos. Muito. Prontas para o meio da manhã quando o carrinho do Jaiminho  (não confundir o nome) da cantina do Liceu Jaime Moniz aparecia com as borlas de berlim.

Neste transporte simpático ainda consigo ver o branco do creme e sentir-lhe o cheiro a quente. Mas há um silêncio neste autocarro de Agosto 2007. Olho para os lados e vejo gente nova vinda das praias da promenade Lido-Formosa. Falam ao telemóvel. Constantemente. Uns de cabeça baixa, como se quisessem esconder-se de algo que os perturba, outros exibicionistas fazendo questão de largar uma frase ao ar. A camioneta reage ao sinal electrónico “PARAR”. Não audível. Não há som de campainha. Eles e elas atravessam o corredor e abandonam o veículo público com a mão direita junto ao ouvido e falam, falam. Será que existe alguém do outro lado? Continuo sentada. E fico hipnotizada pela rapidez com que um jovem digitalizada sms.

Mas o “horário” já não atravessa a cidade pelas mesmas ruas da minha adolescência quando no largo Jaime Moniz os meus amigos masculinos eram desviados obrigatoriamente para o portão da rua Bela de São Tiago. O “apartheid” do sexo dava-se logo às 8 da manhã. E nós, género feminino, ala que se faz tarde pela porta principal para no primeiro intervalo ou “furo” engordarmos a fila para o aluguer de raquetas de ténis de mesa. Eles os tacos de bilhar. Naquela mesa no fundo do corredor, o contínuo (já não me lembro do nome) permitia essa mistura pecaminosa entre jovens dos dois sexos. Aprendi, assim, que, em certas alturas, até jogar ping-pong pode ser um acto subversivo.

Há quem fale, ainda, ao telemóvel. O autocarro despeja-se no final da linha. Vou a pé para casa.

Lilia Bernardes

Para que servem alguns blogues

Tuesday, August 14th, 2007

Há dias apeteceu-me e fiz o teste. Coloquei o meu nome no google e apanhei uns textos anónimos muito madeirenses. Até têm sotaque pois a origem dos blogues é clara: made in região. A má-fé, inveja, processos de intenção, as tentativas de rotular o meu trabalho jornalistico, as tontices e idiotices são um passeio cansativo - há, inclusive, quem tente falar por mim dizendo coisas que eu nunca afirmei - pois são mal humorados e falta-lhes ironia. Um bom indício de que, afinal, algumas páginas não servem para nada.

Mas isso eu já sabia. Faz parte da formatação. Tenho uma vantagem. Para mim os fantasmas nunca existiram. Continuem. Não terei pachorra para acompanhá-los. Portanto, deixo-os anonimamente sós. Como qualquer pessoa de carácter sabe que um sem rosto ou um pseudónimo não identificável não valem nada. A não ser para o júri dos jogos florais mas só até abrir o envelope lacrado para dizer que venceu o autor do texto sobre o bibelot do carrinho de bois.

Lilia Bernardes

As delfinadas

Monday, August 13th, 2007

Miguel Albuquerque, presidente da Câmara do Funchal, não deixou passar a insinuação feita em 2004 pelo seu colega de partido, João Cunha e Silva, sobre a existência de alegadas «negociatas» na autarquia, exigindo, de imediado, uma sindicância. Hoje, em conferência de Imprensa, apresentou as conclusões da investigação, feita pelo governo regional, declarando que, apesar de alguns irregularidades técnicas, (o relatório foi entregue ao Tribunal de Contas  e ao Ministério Público), não há indícios nenhuns sobre quaisquer «negócios escuros», recusando tecer comentários quanto às consequências políticas deste acto por parte do vice-presidente. Se no jornalismo o contraditório é regra, falta agora confrontar o autor da afirmação, João Cunha e Silva, que colocou sob suspeita a edilidade. Não será isto “difamação”? Um crime, pelo qual Alberto João Jardim processou João Carlos Gouveia, recebendo 35 mil euros de indemnização, dinheiro endossado aos pobres da Madeira?

Eis a minha dúvida: porque razão, há 3 anos, João Cunha e Silva disse o que disse? Ainda tem dúvidas? Quais? Afinal, o que se passa no reino “laranja”?

E se alguém com responsabilidades no PSD, vier, agora, para os jornais, levantar suspeitas sobre as Sociedades de Desenvolvimento, a vice-presidência vai exigir uma sindicância?

O bom seria fazer uma auditoria a todos os departamentos do governo regional, institutos, entre outros, mais as autarquias da Madeira, em nome da transparência. Isso é que era bom!(pode ler a frase com a entoação que entender)

 

Lilia Bernardes  

O mediatismo do «terrorismo de Estado»

Monday, August 13th, 2007

João Carlos Gouveia, novo lider do PS/Madeira, conseguiu em menos de 1 mês uma cobertura jornalística ímpar. Por uma razão simples, usa a mesma linguagem, comportamento e tiques de Alberto João Jardim. Gouveia foi buscar a adjectivação do lider do PSD-M aplicada aos governantes da República ao longo de 30 décadas, a jornalistas, a Chefes de Estado aos políticos da oposição, mas, ao contrário do dirigente socialista, nunca foi processado.

Quais serão as diferenças?

Um jogo para entreter o verão.

Lilia Bernardes