Archive for October, 2007

Senhora, tem uma faca?

Wednesday, October 31st, 2007

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O casal e o filho sobem a rua nos finais de tarde. Sempre. Ele tem um acordeão. Moram num casebre abandonado, num registo parecido ao país de origem. De um Leste desassombrado e dorido. Falam português com o sotaque de quem aprendeu a Lingua à custa de pedir “uma panela. Alguma coisa que não lhe faça falta. Um cobertor mesmo velho para aquecer a noite. Uma cadeira com fundo. Uma roupinha sem número nem marca. Um prato mesmo rachado».

Fico sempre incomodada. Não posso dar o que não me custa dar. “O já não preciso, leve…», é um estímulo para amenizar consciências.

Mas depois olho-os nos olhos. E fico envergonhada. E só vos conto esta história porque dei por mim estupidamente a arrepiar-me, a tremer-me a voz, quando ouvi o último pedido.

«Senhora, arranja-me, agora, uma faca?».

Não. Não dou facas a ninguém. Depois de tudo isto? Uma faca? Não tenho….não quero saber.

«Sabe, não uso….», disse enquanto as lâminas da cozinha dentadas, pontiagudas, alinhadas por tamanhos e funções correm-me frente aos dentes. Tenho medo delas. Corto-me sempre.  

Não. Não dou facas. «Desculpem, não tenho…». Não tenho ou não quero? Acho que não quero ter vizinhos a morar num casebre abandonado com facas. Não quero armá-los, será? A minha mente altruísta é uma treta.

Mas logo ouço as palavras da minha mãe de mão estendida, sorridente como ela sabe ser, ultrapassando-me pela esquerda, vinda do interior da casa, e em tom decidido, estender-lhes um maço de facas enquanto a matriarca do trio explicava: «mas nós só precisamos de uma faca, senhora».

«Levem as três. Vocês são três, não são? É uma para cada um», respondeu a minha mãe. 

Boa, Adelaide. Não sei o que dizer-te.

Lília Bernardes

1 Visão = 1 Árvore

Monday, October 29th, 2007

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A edição desta semana da revista Visão é uma verdadeira surpresa, é dedicada na quase totalidade ao ambiente.

Independentemente dos meandros envolvidos e a moda Al Gore estas iniciativas nunca são demais e são sempre de louvar.
Prevê-se que as tendências de marketing para 2008 irão inclinar-se fortemente para as questões ambientais. Vão até mais longe e referem que as empresas que não tiverem uma consciência verde nas suas políticas irão perder competitividade.

Só uma critíca à edição verde da Visão. É pena que o especial de 252 páginas não seja grande exemplo e não ajuda muito ao ambiente. Pelo menos que o papel fosse reciclado.

Faltou-lhes aplicar as novas tendências de marketing.

Roberto Xavier

Que c’est triste Venise

Thursday, October 25th, 2007

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Que c’est triste Venise
Au temps des amours mortes
Que c’est triste Venise
Quand on ne s’aime plus
On cherche encore des mots
Mais l’ennui les emporte
On voudrais bien pleurer
Mais on ne le peut plus
Que c’est triste Venise (…)

Sugestão
Ouça Aznavour em:
http://www.malhanga.com/musicafrancesa/aznavour/venise.htm 

E outras (para quem gosta de música francesa, como eu):
http://www.malhanga.com/musicafrancesa/ 


Lília Bernardes

Portugal ofereceu o (des)norte português aos russos

Thursday, October 25th, 2007

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Recepção a Putin bloqueou parte do trânsito em Lisboa. Presidente da Federação russa foi recebido por Cavaco, Sócrates, e uma parada militar com 360 elementos das Forças Armadas.

Prenda do primeiro-ministro, um sistema de navegação português, vulgo GPS.

Ou seja, oferecemos o nosso (des) Norte aos russos.

Lília Bernardes

Pai, por que não foste rico, da maçonaria ou da Opus Dei?

Wednesday, October 24th, 2007

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Comecei a trabalhar aos 17 anos. Não tem nada a ver com isso, pois é, mas EU TENHO. Quando comecei a descontar impostos para tudo e mais alguma coisa - até dei um dia de trabalho de borla ao povo (acho que foi o general Vasco Gonçalves que teve esta brilhante ideia), julgava que 36 anos era uma conta boa para enterrar a vida activa, leia-se dependente de outro.

Mas afinal, enganei-me. Não sou piloto da TAP, é certo, mas a profissão que exerço - jornalismo - também tem muitos riscos. Imagine que depois dos 60 sou incapaz de fazer a diferença entre Jardim, Edgar, Paulo Martins, João Carlos Gouveia, e sei lá mais quem aguentará?

Quem me dera ter tido um pai rico, daqueles que têm um banco e pagam as dívidas dos filhos, até aquelas em que ele (filho) foi avalista do sócio foram perdoadas. Mas o meu João que morreu cedo, era um bom vivant, um anarca, sem feitio para cumprir ordens a não ser a gargalhada que guardou até ao fim.

Portanto, geneticamente a coisa é muito má para o meu lado.

Também não estou a ver o meu pai, com aquele vozeirão e altura, vestido de avental ou de mãos para o céu, bichanando influências nos corredores sombrios de rezas, juras, crenças e redes bancárias espalhadas pela Peninsula.

Portanto, menina Lilia (esta tem direitos de autor) cale-se e trabalhe.

Mas eu que só queria TEMPO, não para abrir uma empresa ou negócios, estaria imprópria para aturar produtividades e alavancas da economia - mas para fazer NADA, só o que me apetecesse. Como muito bem entendesse. Com dinheiro, é claro, pouco barulho, e a liberdade de tirar o relógio do pulso, desligar o estúpido do telemóvel e dizer que não estou porque não quero estar.

Lilia Bernardes

Lancei um fósforo às memórias

Monday, October 22nd, 2007

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Todos nós já passámos por uma mudança. De casa, de casamento, de patrão, de humores, de amores, de idade, muitos de partido e poucos de clubes de futebol, etc.

Ao longo dos anos guardámos coisas que, na altura, sentimos que fazem parte da nossa vida jurando que irão acompanhar-nos até que a morte nos separe. São primeiras páginas de jornais, recortes de revistas, discos de vinil, fotografias, livros e livros, bonecas de pano (ai aquela que a minha avó fez com cabeça de meia de nylon e olhos de semente…custou-me tanto jogá-la borda fora), um cachecol que foi abraçado por alguém que já não está, um frasco de perfume vazio porque lembra quem o ofereceu, uma panela de ferro antiga herdada já não sei de quem, um raio que o parta….

Ainda tenho sótão e levei uma semana a encher sacos pretos de tudo e de nada. Cheguei a fechar os olhos para não ver os despojos da guerra civil que eu própria criara. Afinal, aquilo que eu catalogava de memórias tinham deixado de o ser. Não sei se é bom ou mau. Mas é um alívio. Acredito que daqui para a frente vou adoptar uma espécie de prazo fiscal caseiro. Dois anos e adeus. Lixo. Só tenho um problema não consigo abandonar o meu riso, cães, gatos, família, seis amigos, muitos livros e discos. Quanto aos recortes da Imprensa com assuntos da política corriqueira guardei alguns para fazer pasta de papel e criar umas máscaras de carnaval. Aprendi a fazê-las quando frequentei uma workshop sobre técnicas de marionetas e fantoches.

Lilia Bernardes

23 anos com muitos milhões

Sunday, October 21st, 2007

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O site www.facebook.com revelou-se a “galinha dos ovos de ouro” para Mark Zuckerberg. Este estudante de Harvard de 23 anos foi o mentor da rede social online Facebook, que conta já com cerca de 34 milhões de membros.

Inicialmente o objectivo principal era juntar todos os estudantes da Universidade de Harvard, que estavam dispersos nas diversas faculdades. Neste momento o Facebook já é utilizado por estudantes de 2000 universidades e não só.

Apesar de a ideia não ser original, destaca-se pela robustez da plataforma, pelos critérios de segurança e por ser um ponto de encontro para pessoas que pelas circunstâncias da vida perderam o contacto.

A título de curiosidade o Facebook está sobre a mira das grandes empresas, que já se aperceberam do seu potencial e sucesso. Por exemplo, a Viacom ofereceu 750 milhões de dólares e a Yahoo 1000 milhões de dólares. O “puto” é rebelde e recusou todas as ofertas.

Roberto Xavier

Olhai para Espanha

Sunday, October 21st, 2007

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Consulte http://www.educa.madrid.org/portal/web/educamadrid
Lilia Bernardes

Black & White

Friday, October 19th, 2007

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Autor: Jürg Christandl - www.christandl.com

Roberto Xavier

Pela segunda vez? É demais.

Wednesday, October 17th, 2007

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A história conta-se em duas palavras. Pela segunda vez, a mesma pessoa recebe uma convocatória da Caixa Geral de Aposentações para uma Junta Médica no edifício da Caixa Geral de Depósitos (Avenida Arriaga) e outra convocatória para o mesmo dia com um intervalo de meia hora, para se apresentar à Junta Médica da segurança social madeirense, no edifício da “Caixa” (Rua Elias Garcia).

Alguém consegue explicar? Eu não. Estando a pessoa doente, e muito, entrou em parafuso…a família cá está para aparar.

Qualquer um de nós, por mais saudável que seja, entra em desespero e não há quem consiga dar um esclarecimento aceitável. Começo a acreditar em bruxas. Porque a verdade é que a convocada não pode faltar a nenhuma destas inspecções.

Como é possível tratar assim as pessoas e repetir o mesmo erro pela segunda vez? Não há responsáveis? Quem são? Ou quem não são?

Lília Bernardes