Archive for November, 2007

POLIS - lições de G. Grass

Wednesday, November 28th, 2007

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“Aprendi que, enquanto cidadãos de um Estado, independentemente do ofício, também temos de nos empenhar políticamente. Não se pode deixar a democracia unicamente aos políticos, sob o risco de ela se tornar um invólucro vazio, em que o cidadão é apenas gado votante. A República de Weimar fracassou por não terem existido suficientes cidadãos a colocar-se à sua frente para a proteger. Retirei daí as minhas conclusões”.

Respiguei esta resposta da entrevista à última Visão [ nº 768 - 22 Nov.07 ] de Gunther Grass, 80 anos, alemão, prémio nobel da literatura. Grass é sobretudo dono de uma vida e de um estilo que admiro.
Esta reflexão, este fundamento para a intervenção cívica é profundo e de grande amplitude. Vale por si e pelo contexto. Vale ainda para ajudar a barrar o avanço perigoso de políticos que se julgam ungidos pelo voto e, desde aí, imunes à crítica e ao contraponto. 

Roquelino Ornelas 

“Ó Gente da Minha Terra”

Sunday, November 25th, 2007

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Adorei o concerto da Mariza. Uma coisa é ouvi-la em cd, outra bem diferente vê-la ao vivo. Acho que é das melhores vozes portuguesas. Mas isso não me impede de tecer alguns comentários.

Detestei as “bocas” ensaiadas bem como a reacção do público. As divas, por vezes, acham que têm piada. Não têm. Explico melhor.

Mariza disse pela enésima vez que tinha nascido em Moçambique e perguntou se estaria por ali algum conterrâneo.

O povo respondeu: “Simmmmmmmmmmm”

“E madeirenses? Também estão madeirenses?»

O povo respondeu: “SiMMMMMMMMMMMMMMMM»

” E Portugueses? (??????)»

O povo respondeu: “simmmmm»

É tudo muito parvo. Mas pior, ainda, é a referência a Alberto João Jardim e aos chineses. Já uma pessoa não pode estar descansada duas horas na vida sem ouvir o nome do presidente do governo regional. É poluição sonora a mais. Perseguição e a constatação do real logotipo do cartaz turistica da Madeira.  

Lilia Bernardes 

 

Derrocada nos Socorridos - Tâmega 22/11/07

Sunday, November 25th, 2007

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Roberto Xavier

A arraial do Marítimo e outras tradições.

Friday, November 23rd, 2007

Há dias escrevi neste blog um texto sobre a “foleirada” da festa do Marítimo na baía do Funchal. Quando critico dou a cara. Não uso pseudónimo nem me escondo sob a capa de blogues anónimos, sem cara, e completamente desactualizados. Pois é! Há muito sei que é mais fácil mandar “bocas” do que assumir posições.

Mas nunca pensei que as minhas palavras surtissem tanto efeito. Óptimo. Discordo completamente com a colocação daquele arraial na marginal da cidade. Da mesma forma que discordava e discordo do balão panorâmico (espero que o vento não o devolva). 

O mais engraçada é que todos fizeram comentários de ataque pessoal. Não estou para aturar. Outros pensam que não sou madeirense. E lá vem a saloiada - leia-se, gente que gosta de ser povo só quando interessa - verter as águas de sempre. Enganam-se. Nasci na freguesia de São Pedro, Funchal. E agora, não posso deixar de gostar de bolo do caco barrado com margarina d’alho? Sou obrigada a gostar de vinho seco? Tradições? Conheço-as, incluindo aquela que colocava as sanitas das casas madeirenses a meio das bananeiras. Será que ainda as mantêm?

Quanto ao meu clube por parte da mãe sou do Marítimo, por parte do pai sou do Nacional.

Aqui ficam os links para os blogues dos comentadores:

baby_boy_swim: http://madeiraminhavida.blogspot.com

André Ladeira (Madeirense): http://wcreal.blogspot.com

Luis Miguel: http://cantinhodomundo.blogspot.com/

Lilia Bernardes

Governo da Madeira abre concurso público para adquirir mosquiteiras

Monday, November 19th, 2007

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Estou à espera que o governo da Madeira distribua pelas residências do Funchal, tal como os partidos fazem durante as campanhas eleitorais (lembram-se da bandeira da Madeira?), um saquinho com pelo menos três mosquiteiras (é o meu agregado familiar) para nos proteger desse “tipo” de mosquito que, dizem, ter vindo clandestinamente no contentor de um país da América do Sul e se instalou nas nossas poças, pôs ovos e eclodiu.

E eu pensava que era tudo mentira. Mesmo mordida, sempre achei que era maldade - só poderia ser - ter os tornozelos em sangue porque o tal “tipo” vem com silenciador e anestesia. Ou seja, passamos logo ao acto de coçar os tornozelos. Quando os jornalistas começaram a escrever foram acusados de ”alarmismo”. E agora? Há, pois há, embora alguns continuem a achar que ”não” mesmo que os mosquitos lhes comam a visão.

Hoje fiquei, de novo, pasmada.  Não é que passados dois anos e meio sobre o surto inicial, localizado ironicamente em Santa Luzia, ouvimos o recente director regional de saúde pública dizer aquilo que o seu antecessor(a) nunca disse: que os mosquitos vieram para ficar, sugerindo para já à população colocar redes nas portas e janelas e quem sabe se nos próximos tempos no interior das casas.

E eu que pensava que a culpa era dos vasinhos de flores, aliás, dos pratinhos que aguentam os pinguinhos de água caídos dos vasinhos de flores.

Agora, como já é verdade, podemos todos dizer que há mosquitinhos à barda. E droga não há? Será que, também, há…enfim, parece que sim mas ainda não há números. O melhor é mesmo a malta nem saber. Para quê tanto “há”. 

Nos anos 80, era, também, tudo mentira.

Lilia Bernardes

Agora é a minha vez

Monday, November 19th, 2007

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Agora foi a minha vez de fazer arrumações. Não lancei um fósforo à papelada acumulada das aulas do secundário, da universidade, do IRS, mas separei para colocar no ecoponto.
Isto de mudar de casa obriga a remexer em coisas que nem imaginávamos que tínhamos, no momento em que guardamos parece extremamente importante e que de certeza iremos mais tarde precisar. Todas estas expectativas saem defraudadas, não deixa de ser papelada que nunca mais terá uso.
A única coisa não lanço para o ecoponto são os montes de livros, independentemente do seu teor.

Entre muito pó e papel a cheirar a mofo, encontrei uma verdadeira relíquia - “O Médico do Lar” de Dr. Humberto O. Swartout e Dr.ª Raquel Guerreiro, que apesar de não estar datado, julgo pelo estado degradado que deve ter cerca de 60 anos. O objectivo deste livro era “ajudar as pessoas sadias a preservarem a saúde” e “ajudar os doentes a curar-se”.
Uma leitura na diagonal permite descobrir uns parágrafos bem interessantes, como “O banho diário deveria entrar nos hábitos de tôda a gente. Mas, ou porque é inacessível, - a casa de banho é entre nós um privilégio das classes mais abastadas - ou porque uma educação higiénica perfeita ainda não nos mostrou as vantagens do banho diário, êle é feito geralmente só de 8 em 8 dias” ou “O corpo humano foi comparado a uma locomotiva que trabalha e produz calor pela combustão. Não importa qual seja o combustível que utilize, sempre produz fumaça, fuligem e cinza. Se êsses materiais gastos não pudessem ser expelidos da locomotiva, ela muito cedo ficaria inutilizada.”
Também é impossível não destacar a primeira fotografia do livro, que é de uma enfermeira e quem tem a seguinte legenda: “Saber tratar doentes é a mais nobre função da mulher”.

Já não há livros como os de antigamente!

Roberto Xavier

Uma imagem - mil palavras

Saturday, November 17th, 2007

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No último domingo dia 11, num jogo de basquetebol em Jerusalém, um segurança ficou sem três dedos de uma mão ao segurar um petardo atirado para o meio da multidão.
Um gesto altruísta que evitou, concerteza, mortes e pânico entre os espectadores do jogo.
Num tempo em que cada vez mais se assiste à proliferação do egoísmo e do egocentrismo. Quando interessa mais parecer do que ser e, se inovoca em vão, a caridade cristã. Quando muitas vezes se espera a doação cega da alma dos outros por conta de créditos antigos e interesseiros. …. o gesto deste segurança é de enaltecer. É ainda uma esperança. Nem tudo está perdido.

Fonte:
Revista Visão - nº 767 - 15 de novembro de 2007 - pg 28 - foto de Haim Zach/AP

Roquelino Ornelas

mea culpa

Tuesday, November 13th, 2007

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Um dia destes recebi um mail interessante.Pessoa amiga, exactamente com metade da minha idade “repreendia-me” por crónica falta de disciplina.
Ao que parece já tinha visitado várias vezes o blogue, lia e divertia-se com o que encontrava mas estranhou a minha ausência. Então, nesse mail, começava por interrogar pela ausência mas depois lá vinham os “puxões de orelhas”. Que não se percebia como é que há pessoas tão indisciplinadas! Pessoas, dizia, que deveriam dar exemplo e blá,blá,blá…. Que se assim era, melhor seria fechar o blogue para não defraudrar as expectativas dos habitués.
Lembrei-me de responder que  ”era o que faltava ter de aturar fedelhos”, como me disseram numa ” impertinência” do género, quando tinha vinte e poucos anos.
Depois pensei melhor e dei conta que afinal havia razão no reparo. Há muito que não escrevo por alegada falta de tema ou de impulso suficiente.
Mas a pausa teve a sua função. Reparei, feliz e contente que afinal todos valemos qualquer coisa, pelo menos no nosso círculo de amizades.
No próximo ano farei 30 anos de carreira jornalistica. Uma vida. Não obstante, não consegui marcar uma “era“, nem sequer por interposta pessoa…. Que raiva! Que inveja eu tenho desses felizardos… Lá vou ter de contentar-me com umas migalhitas da história.
Vale-me a consciência verdadeiramente tranquila. Sem grandes achas, mas uma chama viva. Como a do reclame da gazcidla. Lembram-se? “Gaz-cidla, uma chama viva, onde quer que viva“.
PS: Ah! e não fosse o aviso da minha filha para não usar expressões modernaças, desajustadas para a minha idade,  diria,  a concluir este post: ” L O L “ , mas, diz ela:  “na tua idade fica mesmo feio, acredita em mim” - (?).  

Roquelino Ornelas

Para os nostálgicos

Friday, November 9th, 2007

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Um dia destes descobri um site que é um verdadeiro achado. Remete-nos para as memórias de criança, desde as séries de animação à música dos anos 70 e 80. Por um lado é estranho ver coisas que já nem me lembrava, mas por outro enche a alma e faz recordar momentos que pareciam estar esquecidos. Afinal, cai sempre bem recordar o Tom Sawyer ou ouvir “Eu vi um sapo” de Maria Armanda.
Como sei que os leitores do nosso blog são tão nostálgicos como nós, tenho a certeza que este site irá fazer um sucesso.

http://www.misteriojuvenil.com/piratas_momentomagico.htm

Roberto Xavier

O que é que se passa na Madeira?

Tuesday, November 6th, 2007

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Nos finais dos anos 80 princípios de 90 havia na Zona Velha da cidade um Clube de Jazz,espaço único onde um grupo de pessoas se juntava para falar e ouvir a “sua” música. Lembro-me de às tantas da manhã vir para casa, sozinha, a pé. Sem qualquer receio ou medo de subir a rua Bela de São Tiago, a Aspirante Mota Freitas, etc. Se fosse preciso atravessava o Funchal. Era essa liberdade chamada segurança que dava o encanto das noites e dos dias.

Tudo mudou. E as autoridades políticas esquecem-se que vivemos numa ilha pequena, com uma dimensão inferior ao concelho de Sintra.

Sida, droga, pobreza, roubos, assaltos, foram problemas secundarizados pois, lembro-me muito bem, falar deles era “dar uma má imagem da Madeira”. Melhor seria assobiar para o lado, fingir que o ninho de cobras não tinha ovos, que não havia incubação de larvas, e que, ao contrário de outros destinos, a Madeira era o tal “cantinho do céu” eterno. Um dos problemas do jardinismo é não assumir, de frente, os problemas quando estes são da sua responsabilidade. A Autonomia é, afinal, o quê? Serve a quem?

Há dias fiquei parva quando ouvi o Presidente do Governo Regional dizer que esta violência era fruto das actuais “leis socialistas”. Mas a quem pretende enganar? Demagogia pura para tentar salvar a pele pois é bom recordar o passado, os indicadores existentes deste os finais de 80 quando, por exemplo, a droga ainda se resumia à erva e ao haxixe, e que os meninos das caixinhas eram uma “invenção” do então padre Edgar.

Perdi a Madeira que conheci, nasci e vivi. Perdi a minha liberdade. Acham que isto é cosmopolitismo? Não. É irresponsabilidade. Agora respondam e não sacudam a água do capote. Nem todos podem viver com polícia à porta ou subir os muros da casa encurralando-se para não ter marginais encapuzados a ameaçar rebentar-lhe os cornos.

Não troco um túnel pela paz. E é isso que alguém ainda não percebeu. Mas os madeirenses começam a ficar assustados.

O silêncio do poder político é arrepiante e comprometedor.

Lília Bernardes