Archive for December, 2007

2008 é um ano redondo

Saturday, December 29th, 2007

Não percebo nada de numerologia mas há números e números. Acho 2008 uma sequência bonita. Com uma única aresta. Ele é redondo, gordinho. Apetece deixar-se levar, escorregar pois parece que ampara as quedas. Tem imagem de ninho, de aconchego.

É, assim, que vou olhá-lo.

Lilia Bernardes

Conversas de Natal

Sunday, December 23rd, 2007

Cheira a carne vinha d’alhos nas ruas que circundam o mercado dos Lavradores. Quatro homens bêbados dormem de cara roxa ao sol de Dezembro anestesiados pelo grau álcool. Gente acotovela-se numa pressa de fim de mundo. Vou devagar, tão devagar que ouço conversas baixas. Dois homens com perfil de aposentados falam dos bens e males da vida. Dois casados. Pelo visto viúvos. Um deles perdia-se de arrependimento por, naquela altura da vida ter voltado a viver com uma mulher que só lhe dava chatices. Farto não sei bem de quê desfilava desânimo ao amigo. O outro, nunca saberemos se é verdade, responde-lhe com aquele ar que amarfanha ainda mais quem se lastimou.

«Eu arranjei uma senhora (reparem uma Senhora). Mas eu não dependo dela. Nem ela de mim. Cada um tem o seu dinheiro», disse.

Desinteressei-me da conversa. Dinheiro, é isso. O que afasta e o que une. Nesta altura do ano, porque é Natal, todos os sinais são evidentes. Mas é tão bom poder dar um presente a quem amamos desalmadamente. Uma filha. Uma mãe. Uma irmã. Os amigos que nos acompanham ao longo da vida. Aqueles a quem podemos confiar alegrias e fragilidades.

Aos meus companheiros de blogue. A amizade que nos une. Adoro-vos. Publicamente.

BOM NATAL A QUEM NOS LÊ.

Lilia Bernardes

Este ano não há presépio…

Thursday, December 20th, 2007

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“Este ano não vai haver presépio! Lamentamos, mas:

- Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura e esta foi retirada do estábulo até decisão governamental;
- Os camelos estão no governo;
- Os cordeirinhos estão tão magros e tão feios que não podem ser exibidos;
- A vaca está louca e não se segura nas patas;
- O burro está na escola a dar aulas de substituição;
- Nossa Senhora e São José foram chamados à escola para avaliar o burro;
- A estrelinha de Belém perdeu o brilho porque o Menino Jesus não tem tempo para olhar para ela;
- O Menino Jesus está no Politeama em actividades de enriquecimento curricular e o tribunal de Coimbra ordenou a sua entrega imediata ao pai biológico;
- A ASAE fechou temporariamente o estábulo pela falta da manjedoura e, sobretudo, até serem corrigidas as péssimas condições higiénicas do estábulo, de acordo com as normas da UE.”

Quando Salir de “Cuba”….

Tuesday, December 18th, 2007


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Fidel Castro, 81 anos, admitiu pela primeira vez deixar o poder em Cuba.
Em Julho do ano passado e por motivos de saúde Fidel cedeu o lugar ao seu irmão Raul que no entanto continua a consultá-lo nas matérias mais prementes.
Numa carta enviada ao moderador de um programa da rádio e televisão cubana o velho revolucionário diz: “o meu dever não é de me agarrar aos cargos, nem fechar o caminho a pessoas mais jovens, mas transmitir experiências e ideias cujo modesto valor provém da época excepcional que me foi dado viver”.
Castro tomou conta do poder em Cuba em 1959, vai para meio século. Atrás de si levou uma multidão de romanticos que lhe fizeram a corte, primeiro por respeito, depois por medo. Os que ousaram discordar ou desafinar o ritmo do Comandante pagaram caro, com a vida ou a prisão. Outros abandonaram definitivamente a ilha.
Hoje, o povo cubano que sabiamente sorri na miséria para não piorar as coisas, está expectante. Pobre, muito pobre e com medo de falar. Acho que sorri porque vê uma luz ao fundo do túnel e essa luz aparece porque o velho dono da ilha se vai….
 
 
Se fosse um filme era altura de colocar, em som de fundo, uma velha melodia com um refrão que acaba dizendo: “…Quando sali de Cuba dejé enterrado mi coracion! …”. A imagem seguinte seria um “plano americano”, de abraços, no aeroporto Jose Marti, onde começavam a chegar exilados.

Se Fidel fosse outro, teria ido em glória há muito tempo. Saber sair de cena é para poucos e parece ser muito difícil sobretudo se se é pouco democrático. Os “Comandantes” como ele acabam em triste pose. Uns caem da cadeira outros andam de pijama a vociferar contra o mundo que lhes quer mal. Todos com ilusões e fixações, muita rabujice e um ódio disfarçado mas que lhes sai pelos poros e cheira mal.  Estou certo que ninguém dirá com sinceridade, “Hasta siempre comandante ”. 


No entanto, do alto da Sierra Maestra continua a avistar-se Havana. Mais pobre e mais velha mas cheia de esperança. Crê que o Mar Caribe há-de devolver-lhe o que roubou porque é mesmo verdade, que há  mais marés que marinheiros.

Roquelino Ornelas

7 minutos

Sunday, December 16th, 2007

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Foram sete minutos de discurso de Natal do dr. Jardim. A dizer o mesmo. O discurso mais pequeno que alguma vez ouvi da boca do lider madeirense. Novidades? Nada. “Vamos com força” para 2008 (para onde, pergunto); uma “guerra sem armas” contra Sócrates, etc, etc.  

Assim se gere mal a comunicação.  Assim se gere mal uma agenda. Assim se deixa de ser citado. Assim se deixa de ser notícia.

O Dr. Jardim esqueceu-se de alguns princípios vitais para um politico: SURPREENDER e GERIR SILÊNCIOS. A isto poder-se-á chamar estratégia. Há muito que não o faz. Quem perde? Vamos ver o que acontece até Abril (Congresso do PSD/M + Visita oficial do Presidente da República). Até lá….”That’s all falks”(?)

Lilia Bernardes

Porque será?

Saturday, December 15th, 2007

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Alguém sabe porque razão que o túnel que faz a ligação entre a zona da Quinta Magnólia e a Avenida Calouste Gulbenkian está constantemente encerrado à noite, obrigando assim os automobilistas a prolongar o seu percurso?

Será que é para não perturbar o sono do Presidente da ALRAM?

Já  não bastava o PSP a carpir com o frio e a chuva à porta!

Roberto Xavier

Há coisas estranhas, não há ?

Wednesday, December 12th, 2007

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O armazém onde a comunidade Vida e paz guardava os víveres e prendas para a festa de natal dos sem abrigo de Lisboa foi assaltado. A associação ficou em palpos de aranha. A festa é neste fim de semana e para além de umas prendinhas que queriam dar, propunham-se fornecer 4.500 refeições quentes.
Mal deverá estar um País onde até as esmolas dos pobres, dos mais pobres dos pobres, como diria madre Tereza de Calcutá são roubadas.
Ouvi esta manhã que as coisas começam a compôr-se. Mesmo que a festa não seja o que pretendia a comunidade há-de fazer-se qualquer coisa. Afinal é mesmo verdade, quem dá aos pobres empresta a Deus.

Roquelino

A arrogância insuportável do dr. Jardim

Friday, December 7th, 2007

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A Madeira não é “o dr. Jardim”. Não é propriedade sua. Mas ele comporta-se como se tivesse recebido esta terra por herança familiar. E tenta fazer e desfazer conforme os humores. Não é de agora que a malcriação faz parte do curriculo. Não é de agora que tenta jogar com processos de intimidação, com bocas mandadas publicar nos cartoons do Jornal da Madeira. NADA É DE AGORA.

A última, reveladora que a Madeira até poderia ser uma copiazinha de Chavez (falta a dimensão geográfica, o petróleo, o poder militar…pois é!) é a ostentação de uma Representação Permanente da Região (REPER) em Lisboa (partilhada com a Casa da Madeira). Desconhece-se os custos (o DN-Lisboa apurou que só a aquisição da vivenda atingiu 1,1, milhões de euros mas falta o resto. A remodelação, o projecto de arquitectura, etc) e, ao contrário de outras inaugurações, pagas pelo erário público - leia-se de todos os contribuintes (nós) - , desta vez, o press release omitiu os valores. Porquê este silêncio? Quem pagou o quê? A troco de quê, para quê? Ah os senhores não convidaram os deputados do PS/Madeira na Assembleia da República -  conforme justificativo enviado hoje pela Quinta Vigia  - para «não pactuar com cumplicidades vergonhosas”, razão porque estes ficaram fora da lista dos convidados.

Por favor, tenham bom senso. Para esse peditório o pessoal já deu. A REPER não é uma sede do PSD/M na capital. Não é a casa de repouso do dr. Jardim em Lisboa. Nem dele nem de ninguém do governo ou amigos do governo/partido.

É abusivo, anti-democrático, que Alberto João Jardim olhe para este património como mais uma “datcha” sua (já não lhe basta a do Porto Santo?).

Conforme o tempo passa, e os 30 anos de governação em sessão contínua se aproximam, a arrogância sobe de tom. Fica-lhe mal. Sobretudo para quem critica, como ele faz, a maioria socialista de Lisboa. Meu Deus, será que não há análise interna, reflexão, espelhos?

Será que a verdade é só a sua? E ainda acha que Sócrates é o prepotente, com tiques totalitários?

Proibiu as assinaturas das secretarias regionais com os jornais do Continente? Nada de novo.  Já disse e fez isso não sei quantas vezes. Contudo, a dívida da região não diminuiu. Grandes cortes! Não leia. Não ouça. Não veja. Acho bem.

Lilia Bernardes

Nem 8, nem 80

Monday, December 3rd, 2007

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Não sei se este ditado também existe na Venezuela. Ele serve para significar ponderação e razoabilidade. Foi o que mostraram os venezuelanos no referendo de ontem. Digam agora que o povo não sabe o que quer e que a democracia é o melhor do pior.
O “Chavismo” medrou em terreno fértil preparado pela classe que mais o contesta e odeia. Torçam a orelhinha agora.
O povo venezuelano esse povão que veio para a rua apoiar o militar que lhes oferecia um futuro mais justo, disse agora que era melhor ele ficar quieto e não se alargar tanto.
Vergo-me perante a maturidade deste povo. Tomara a muitos… .

Roquelino Ornelas

Está há demasiado tempo na mesma empresa?

Sunday, December 2nd, 2007

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Mensalmente a revista Exame presenteia-nos com a crónica “Ideias em directo”, de Jack Welch, o lendário CEO da General Electric (GE), autor do bestseller “Vencer” e considerado um guru em comportamento organizacional.
O mote para esta crónica traduzida do “The New York Times Syndicate” são as questões colocadas pelos leitores.

Uma das perguntas da edição deste mês é a seguinte:
“Quais os critérios que devemos utilizar para determinarmos se já estamos há demasiado tempo na mesma companhia?”

Jack Welch e a sua mulher, Suzy Welch, respondem com 4 perguntas:

1. “(…) tem vontade de ir trabalhar todas as manhãs?”

2. “(…) gosta de passar algum tempo com os seus colegas de trabalho ou, pelo contrário, a convivência com eles deixa-o fora de si?”

3. “(…) a sua empresa ajuda-o a atingir e a cumprir a missão pessoal a que se propôs?”

4. “(…) consegue imaginar-se na mesma organização daqui a um ano?”

Arremata a sua resposta aconselhando: “Projecte-se no futuro, tanto quanto puder, e preveja onde estará na organização, as funções que estará a desempenhar, quem estará a gerir e quem estará a geri-lo a si.”

in http://www.exame.pt/284/html/JackWelch.html

Roberto Xavier