Congresso sem história

Marques Mendes abriu ontem o XI congresso do PSD/Madeira e repetiu o que disse em Oliveira de Azeméis. Única alteração à matriz: os elogios a Alberto João Jardim levados até à exaustão. Quando cheira a exagero, cheira a falta de sinceridade. Lembram-se quando Mendes foi desconvidado, o ano passado, para subir ao Chão da Lagoa, só por que criticou levemente umas declarações de Jardim? Águas passadas. Turvas.

Reeleito líder directamente pelas bases a 23 de Abril, com 92% dos votos, a moção de Jardim, «Consolidar e Desenvolver» (publicada na integra no Jornal da Madeira), retrata a cristalização do partido que, há 30 anos, dirige os destinos da região refém de um só homem. Esta situação deve tirar (deveria) o sono a Jardim.  Basta ver a lista da comissão política e secretariado eleitos. Os mesmos de sempre. Não há renovação nem ideias novas. A própria moção da JSD é um “save us”. Nesta longa metragem só Virgílio Pereira continua  a achar que não faz parte do guião. Mas faz. Por muito que lhe custe e por muitas críticas que faça ao regime. É engraçado mas não tem efeito nenhum. Sai do grupo dos 5 (vice-presidências) sendo substituído por advogado-deputado Coito Pita, conhecido pelos seus actos e intervenções polémicos. O líder aproveitou a moção para falar do «mau» relacionamento com o Governo da República e defender um modelo próprio de desenvolvimento para a região, «obviamente diferente das outras parcelas componentes do território nacional». Esta reivindicação implica a «concretização do Princípio da Unidade Diferenciada, por cuja efectivação o PSD/Madeira se baterá e cada vez com maior denodo», refere.  Será que, neste princípio, estão incluídos os não impedimentos dos deputados regionais?

Para Jardim o contencioso das autonomias está longe de ser encerrado, até que «sejam reconhecidos os Direitos legítimos do parlamento eleito pelo povo madeirense» (?) Quais, se os poderes que têm não os usam?

Num congresso sem história, mais uma vez, se adia o problema da sucessão. Fica a certeza de que Alberto João Jardim está pronto para recanditar-se às eleições legislativas regionais de 2008.

Lília Bernardes 

2 Responses to “Congresso sem história”

  1. Carlos Esperança Says:

    Presto a minha homenagem à coragem, argúcia e persistência da jornalista Lília Bernardes que, há anos, vem informando o País com rigor e independência.

    Carlos Esperança

  2. João Cautela Says:

    É tudo verdade. Aplaudo a coragem de quem pode dizer em letra de imprensa que o Rei Vai Nu.
    Vai nu e pelado como um rato velho e arrisca-se a que a História lhe atribua menos mérito do que aquele que teria se tivessemos outra prática democrática.
    Não me atrevo a dizer que; como Pessoa, mudo de nome. Mas faço como o nosso Carlos Esperança, na esperança que um dia se possa dizer o que se sente sem ser enxovalhado ou alvo de represálias até á quinta geração.

    João Cautela

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