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O lugar de origem: o espaço rural, aonde não raro uma personagem, nos romances, vai ou regressa e onde o escritor situa a sua geografia sentimental. |
1901 5 de Setembro: nascimento de Horácio Bento de Gouveia (filho de Francisco Bento de Gouveia e de D. Firmina Matilde de Ornelas Bento de Gouveia) na freguesia de Ponta Delgada, São Vicente, Ilha da Madeira, na casa do Ladrilho. 1902 Baptismo na Igreja paroquial do Senhor do Bom Jesus de Ponta Delgada. 1909 Estudos primários na Escola do Pico em Ponta Delgada. 1913-1915 Aos doze anos de idade, Horácio Bento de Gouveia completa a 4ª classe. Permanece na sua freguesia de origem até aos dezasseis anos de idade. Nesse período, dado as poucas solicitações culturais do tempo, ingressa numa orquestra da localidade, como tocador de viola, em que actua cerca de dois anos. |
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Formação e carreira: Funchal e Lisboa. O pendor natural dos verdes anos para o lirismo Na adolescência, a leitura de Fialho de Almeida absorve-lhe o espírito: é sensível à música da frase, aos neologismos, ao descri-tivo de ambientes rústicos Viagens aos Açores e ao Brasil A vida de estudante Anos de trabalho e estudo, mas também de descoberta. |
1917-1920 Vem para o Funchal prosseguir os estudos no Ensino Secundário que perduram seis anos. 1922 Julho-Agosto: viagem aos Açores. |
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Com o amadurecer do espírito, Camilo e Aquilino sobrepõem-se a Fialho: o primeiro, pela pureza da linguagem e a riqueza vocabular denotativa e conotativa, o segundo, pelo romance do quadro humano regional; ambos pelo vocabulário e sintaxe. |
1923 27 de Julho: termina, com 12 valores, o Curso complementar de Letras, no Liceu do Funchal. 1925 Setembro e Outubro: viagem ao Brasil com o Orfeon Académico de Lisboa. Manifestação dos seus primeiros interesses pelos estudos brasileiros. 1928 Licenciado, é admitido ao estágio para o Magistério Liceal no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa, no mês de Outubro. Conclui o estágio em 1930. |
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Após a formatura, amadurece a escrita em páginas de jornais Alcobaça inicia-o em actos de rotina. |
1930 1 de Outubro: obtém Cartão de Identidade de jornalista como redactor de O Jornal, do Funchal, actualmente denominado Jornal da Madeira. 1930-1931 Professor, com aulas nocturnas, na Escola Minerva, em Lisboa. |
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Embora de carácter ensimesmado, vai revelar-se como um orador e conferencista dotado. |
1932 Agosto: obtém o Bilhete de Identidade do Sindicato Nacional dos Jornalistas. |
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1933 Publicação de Páginas de Jornalismo, com cartaprefácio de Hernâni Cidade. Editado pela Papelaria e Tipografia Minerva, Alcobaça. 1934 8 de Fevereiro: nascimento da filha Maria de Fátima Madureira de Ornelas de Gouveia, em Alcobaça. 1935 Nomeação para Presidente da Comissão de Iniciativa de Alcobaça. 1936 Nomeação para Presidente da União Nacional do concelho de Alcobaça. |
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Lisboa prolonga a rotina iniciada em Alcobaça, exceptuada a da actividade mental - O desenvolvimento de uma consciência crítica, o aprofundamento de um pensamento estético - Regresso à Madeira: a paixão pela leitura mantém-se. |
1937-1942 Junho 1937: é aprovado no exame de Estado para o Magistério Liceal, com 13 valores, e colocado como professor agregado no Liceu Gil Vicente, em Lisboa. 1942 Professor no Liceu Nacional de Passos Manuel, em Lisboa. 1943-1946 Outubro: Professor no Liceu Nacional do Funchal, Jaime Moniz. Lecciona Português e Latim. |
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A criação literária: a vida ruralista da Madeira será o tema dominante nos seus primeiros romances com enfoque social. |
1946-1947 Volta para Lisboa e é professor no Liceu D. João de Castro. |
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O seu regresso definitivo à Madeira é sinónimo de monotonia e de estagnação durante alguns anos: há um silêncio literário. |
1948 A 23 de Janeiro, é promovido de professor auxiliar a professor efectivo. 1948-1949 Publicação de Ilhéus com prefácio de Aquilino Ribeiro. Edição da Coimbra Editora. |
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Entrega-se àquilo que chama seus errores mundanos. |
1949 16 de Junho: morte da esposa, Maria Elisa Madureira, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa. 1950 Obtém a carta de condução. 1951 8 de Outubro: é nomeado Professor de Psicologia aplicada à educação da Escola do Magistério Primário, que acumula com o serviço docente no Liceu Jaime Moniz. 1952 É apresentado ao crítico literário brasileiro e conferencista de renome, Agrippino Grieco, com quem passa a trocar correspondência. |
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É abordado pela União Nacional no sentido de emprestar os seus talentos e prestígio a cerimónias oficiais e ao seu órgão de comunicação na Madeira. |
1953 Publicação da conferência O Homem, A Música e O Ambiente (separata). 1955 Outubro: lição inaugural do ano lectivo, no Liceu, com o tema A bem da Língua Portuguesa e do estudante. 1956 Fevereiro: falecimento da mãe, D. Firmina M. de Ornelas Bento de Gouveia, no Funchal. |
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Novo fulgor na arte da escritura e na sua vida afectiva. |
1957 Agosto: primeiro encontro com a futura esposa numa jornada a bordo do paquete Vera Cruz. 1958 22 de Fevereiro: segundo casamento com Maria Amélia Viola Miranda, na Igreja do Monte, que se tornará a sua secretária, crítica e conselheira. Residem alguns meses na Rua dos Louros e mudam-se definitivamente para a casa da Rua do Lazareto, 31 (Portão 5). 1959 19 de Maio: nascimento do filho Horácio Miranda de Ornelas Bento de Gouveia. |
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O escritor de créditos firmados - Uma vida rotineira, intercalada por momentos de paixão pela escrita. A sua obra romanesca tende a abarcar o mundo rural e o mundo citadino. |
1960 Fevereiro: reedição de Ilhéus com final acrescido de novos elementos diegéticos (dez páginas). 1961 Termina a terceira obra de ficção, Águas mansas. 1963 Publicação de Águas mansas, edição da Coimbra Editora, com prefácio de Carlos Lélis. 1966 Publicação do volume de crónicas Canhenhos da Ilha com 12 ilustrações de António Aragão. Edição da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. 1969 Vem citado no Dicionário de Literatura (1ª ed., Porto: Figueirinhas) dirigido por Jacinto Prado Coelho, 2º. vol., na entrada Madeira. Lê-se no verbete: Madeirense, Horácio Bento de Gouveia é dos actuais cultores do romance regional. 1970 Um excerto de Águas mansas é seleccionado para constar de uma antologia escolar: Vamos Ler: Livro de Língua Portuguesa 5º classe, de Jaime Mota e Júlio Martins, Lisboa, Livraria Editora. 1971 Vem a reformar-se do serviço efectivo como professor, mas continua a leccionar, por necessidade de serviço docente do Liceu, no período de 1972 a 1976, como professor eventual. Dedica-se, a partir de então, a escrever e a dar explicações de Filosofia e de Português. 1972 Publicação do volume de crónicas e contos Alma Negra e Outras Almas, Edição de Autor, Funchal. 1972-1973 Correspondência epistolar com Ferreira de Castro. 1974 5 de Dezembro: sai o folhetim-romance nº 1 de Ilhéus, apresentado como o drama da colonia no Jornal da Madeira, Funchal, p. 9. 1975 Publicação de Canga (3ª ed. de Ilhéus com texto refundido e carta de Aquilino ao Autor). 1976 Publicação da tradução alemã de Águas mansas: Stille wasser von Madeira - Roman - Aus dem Portugiesischen ins Deutsche übertragen von Dr. Rolf Ulbrich, Berlin: Verlag J. Kleindienst. 1977 Março e Abril: viagem pela Europa com a família Dinamarca, Suécia, Áustria e Itália, experiência que valerá ao romance Margareta algumas páginas, em que o escritor faz coincidir a acção em que evoluem as personagens com a data e lugar da sua estada. 1978 Dezembro: a escritora Judite Navarro conclui uma adaptação de Canga para o teatro radiofónico (RDP / Madeira). No mesmo mês, é anunciado o início dos ensaios do filme A Canga, cujo guião e produção são da responsabilidade de José Luís Cabrita. Mas, por falta de verba, nenhum dos projectos se concretiza. |
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A consagração e as homenagens. |
1979 9 de Maio: lançamento de Torna-viagem - O romance do emigrante, nas instalações da Coimbra Editora. |
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O romancista volta-se para a vida citadina e procura dissecar o quotidiano do Funchal e do Mundo. |
1980 7 de Janeiro a 7 de Junho: é, segundo o autor em entrevista publicada no DN, Funchal, 29 de Junho desse ano, o período de gestação do romance Margareta. 1981 Início da redacção de Luísa Marta que, segundo o filho, vai levar cerca de um ano. |
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Horácio Bento assume de novo o seu pendor pelo memorialismo e pelo intimismo: as suas predilectas fontes de inspiração. |
1982 Concluído o romance Luísa Marta, o escritor contacta a Coimbra Editora e aguarda resposta quanto à sua publicação. 1983 13 de Janeiro: última colaboração na imprensa com o artigo intitulado Da linguagem Mau português no Diário de Notícias do Funchal. |
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A resistência da obra e da memória ao tempo |
1986 Publicação do romance póstumo Luísa Marta - Ficção e memória, com prefácio do filho Horácio Miranda de Ornelas Bento de Gouveia e texto fixado por D. Amélia Bento de Gouveia e José António Gonçalves, Secretaria Regional do Turismo e Cultura do Governo Regional da Madeira. 1990 Na antevéspera da morte de Ferreira de Castro, três cartas suas dirigidas a Horácio Bento de Gouveia são publicadas em O escritor, nº6 Revista da Associação Portuguesa de Escritores, com nota de José António Gonçalves. 1994 Publicação de Crónicas do Norte. Coordenação e prefácio de José António Gonçalves. Edição da Câmara Municipal de São Vicente. 1995 Reedição de Torna-viagem - O romance do emigrante. Funchal: Editorial Correio da Madeira. (Col. Obra Completa de Horácio Bento de Gouveia) 1997 Uma carta de Horácio Bento de Gouveia, com data de 20 de Julho de 1963, dirigida ao seu Professor e amigo, foi seleccionada para integrar o volume Correspondência de Rodrigues Lapa: selecção 1929-1985, publicação que a Câmara de Anadia promoveu em homenagem ao conhecido linguista e estilista. Coimbra: Minerva, p. 299. 1998 Maio: por iniciativa da filha e do genro do escritor, é inaugurada a Casa-Museu do Dr. Horácio Bento de Gouveia, na Casa do Ladrilho, onde o escritor nasceu, viveu a sua infância e adolescência, e onde, homem feito, passava férias. 1999 Maio: publicação da Colectânea de conferências, notícias e artigos da 1ª Exposição Bio-Bibliográfica na Casa-Museu do Dr. Horácio Bento de Gouveia, Ponta-Delgada, Ilha da Madeira, Maio 1998. 2000 Massimo Bussone dedica-lhe uma dezena de páginas na sua Dissertação de Licenciatura (Tesi di Laurea) em Língua e Literatura Portuguesa, apresentada ao Istituto Universitario Orientale Napoli, Facoltà di Lingue e Letterature Straniere Madeira: Unisola, una letteratura, pp. 22-36. |
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As comemorações do centenário do seu nascimento. |
2001 29 de Setembro: publicação de Escritos da juventude 1919-1930 de Horácio Bento de Gouveia, compilados pela filha Maria de Fátima Gouveia Soares, com prefácio de Agustina Bessa-Luís. Editorial Eco do Funchal. Advertência Não foi possível verificar devidamente alguns dos dados apresentados, como exige o escrúpulo científico, por nem sempre se poder consultar fontes documentadas. Casos houve em que documentos oficiais relativos à carreira docente de Horácio Bento de Gouveia se contradiziam nas datas. É, aliás, sabido que o próprio escritor gostava de confundir datas, nomeadamente a do ano do seu nascimento. Haverá, claro está, factos, indicações ou referências por completar ou acrescentar ou corrigir: mais que uma construção assente, o conhecimento é uma reconstrução em movimento perpétuo. Ficha técnica: Elaboração: Thierry Proença dos Santos Principais fontes escritas: Diário de Notícias, Jornal da Madeira e Voz da Madeira, Luísa Marta, correspondência privada do escritor, Tertúlia sem título (Jornalistas da Madeira). Agradecimentos pelas informações prestadas: Escola Secundária Jaime Moniz do Funchal |
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