Cronologia de Horácio Bento de Gouveia e da fortuna da sua obra

O lugar de origem: o espaço rural, aonde não raro uma personagem, nos romances, vai ou regressa e onde o escritor situa a sua geografia sentimental.

1901 5 de Setembro: nascimento de Horácio Bento de Gouveia (filho de Francisco Bento de Gouveia e de D. Firmina Matilde de Ornelas Bento de Gouveia) na freguesia de Ponta Delgada, São Vicente, Ilha da Madeira, na casa do Ladrilho.

1902 Baptismo na Igreja paroquial do Senhor do Bom Jesus de Ponta Delgada.

1909 Estudos primários na Escola do Pico em Ponta Delgada.

1913-1915 Aos doze anos de idade, Horácio Bento de Gouveia completa a 4ª classe. Permanece na sua freguesia de origem até aos dezasseis anos de idade. Nesse período, dado “as poucas solicitações culturais do tempo”, ingressa numa orquestra da localidade, como tocador de viola, em que actua cerca de dois anos.
6 de Setembro de [1913?]: morte do irmão Virgílio, mais velho três anos.
1915: ao perfazer os seus catorze anos, adquire “o gosto de ler, mas de ler com dicionário diante dos olhos” e revela ter predisposição para o jornalismo, com o “jornalzinho manuscrito”, O Norte, contendo “noticiário irónico e circunspecto da terra”, de que é o único redactor.

Formação e carreira: Funchal e Lisboa. O pendor natural dos verdes anos para o lirismo – Na adolescência, a leitura de Fialho de Almeida absorve-lhe o espírito: é sensível à música da frase, aos neologismos, ao descri-tivo de ambientes rústicos – Viagens aos Açores e ao Brasil – A vida de estudante – Anos de trabalho e estudo, mas também de descoberta.

1917-1920 Vem para o Funchal prosseguir os estudos no Ensino Secundário que perduram seis anos.
5 de Maio de 1918: compra pela primeira vez um livro. Trata-se de Novelas do Minho de Camilo Castelo Branco, obra que fora “o [s]eu primeiro contacto com o romancista de Seide”, três anos antes, pelo intermédio de Francisco Rocha Homem. Os três volumes custaram-lhe 900 réis.
Julho de 1918: repete a experiência do semanário composto manualmente que teve com O Norte, e redige O Torpedo.
Por volta de 1919 começa a publicar os seus primeiros escritos na imprensa regional: O Desporto, O Radical, Diário da Madeira e, mais tarde, no Diário de Notícias.
Em Fevereiro de 1920, com o pseudónimo Trêvo, publicou artigos em Gente Nova.
5 de Março de 1920: publica o conto “Açucenas”, “uma composição em estilo macio de conteúdo sentimental”, como escreve o autor trinta e oito anos depois, no número único de Tertúlia Sem Título (Jornalistas da Madeira), em 1958, indiciando que este texto o marcou sobremaneira. O parentesco entre o referido conto e “Alma Negra” é, aliás, notório.
No mesmo ano, em Maio, é co-fundador, com os amigos mais dilectos – Álvaro Favila Vieira, João Pestana Ferreira, Álvaro Manso, Manuel Ferreira Rosa, José M.ª de Conceição Carvalho e Carlos Marinho Lopes, do quinzenário académico Os Novos.
É também nesse ano que passa a colaborar no Diário de Notícias do Funchal.

1922 Julho-Agosto: viagem aos Açores.
Pratica jornalismo e compõe versos que o Diário de Notícias, o Diário da Madeira e, até, o Correio dos Açores trazem a público.

Com o amadurecer do espírito, Camilo e Aquilino sobrepõem-se a Fialho: o primeiro, pela “pureza da linguagem e a riqueza vocabular denotativa e conotativa”, o segundo, pelo “romance do quadro humano regional”; ambos pelo “vocabulário e sintaxe”.

1923 27 de Julho: termina, com 12 valores, o Curso complementar de Letras, no Liceu do Funchal.
Embarca no “Moçambique” e vai para Lisboa. Em Outubro de 1923, cursa, na Faculdade de Letras de Lisboa, Ciências Históricas e Geográficas, onde é aluno do Professor Rodrigues Lapa e do Professor Hernâni Cidade e conclui o curso com a classificação de 13 valores. Matricula-se na Faculdade de Direito de Lisboa, em Novembro de 1924, mas abandona o curso. O pai envia-lhe dinheiro para os estudos, mas a mesada nem sempre chega para as despesas. Dá explicações para conseguir o dinheiro que falta, necessário aos seus estudos e subsistência.

1925 Setembro e Outubro: viagem ao Brasil com o “Orfeon Académico de Lisboa”. Manifestação dos seus primeiros interesses pelos estudos brasileiros.

1928 Licenciado, é admitido ao estágio para o Magistério Liceal no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa, no mês de Outubro. Conclui o estágio em 1930.

Após a formatura, amadurece a escrita em páginas de jornais – Alcobaça inicia-o “em actos de rotina”.

1930 1 de Outubro: obtém Cartão de Identidade de jornalista como redactor de O Jornal, do Funchal, actualmente denominado Jornal da Madeira.
8 de Outubro: obtém Cartão de Identidade de jornalista como redactor do Diário da Madeira, do Funchal.

1930-1931 Professor, com aulas nocturnas, na Escola Minerva, em Lisboa.

Embora de carácter “ensimesmado”, vai revelar-se como um orador e conferencista dotado.

1932 Agosto: obtém o Bilhete de Identidade do Sindicato Nacional dos Jornalistas.
29 Setembro: casamento com Maria Elisa das Graças Machado Madureira, em Arões, Fafe.
Em Alcobaça, é professor no Liceu Municipal de Alcobaça, entre 1932 e 1936. Nessa Escola, rege as disciplinas do primeiro e segundo grupos: lecciona Português, História e Geografia.
Trava conhecimento com o camonista e romancista brasileiro, Afrânio Peixoto.
Morte da avó materna, D. Balbina Cândida de Ornelas, com 96 anos de idade, que foi quem o criou, com a mãe D. Firmina Matilde.
Publicação da conferência Aspectos Histórico-Geográficos da Ilha da Madeira, separata do Boletim nº 3 do Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa.

1933 Publicação de Páginas de Jornalismo, com carta–prefácio de Hernâni Cidade. Editado pela Papelaria e Tipografia Minerva, Alcobaça.

1934 8 de Fevereiro: nascimento da filha Maria de Fátima Madureira de Ornelas de Gouveia, em Alcobaça.

1935 Nomeação para Presidente da Comissão de Iniciativa de Alcobaça.
Outubro: é professor na Escola Prática Agrícola Vieira Natividade.

1936 Nomeação para Presidente da União Nacional do concelho de Alcobaça.
Publicação de um opúsculo, edição da Comissão de Iniciativa e Turismo de Alcobaça, Alcobaça Monumental Touristique, com texto da sua autoria.
10 de Dezembro: realiza no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa, uma conferência subordinada ao tema “Madeira, centro de turismo”.

Lisboa prolonga a rotina iniciada em Alcobaça, exceptuada a da “actividade mental” - O desenvolvimento de uma consciência crítica, o aprofundamento de um pensamento estético - Regresso à Madeira: a paixão pela leitura mantém-se.

1937-1942 Junho 1937: é aprovado no exame de Estado para o Magistério Liceal, com 13 valores, e colocado como professor agregado no Liceu Gil Vicente, em Lisboa.
Leituras intensas de romancistas brasileiros contemporâneos (nomeadamente Erico Veríssimo, Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos).
1938 Carteira de Identidade de jornalista do Diário de Notícias, como redactor correspondente. Residência em Lisboa, na rua B (à Quinta do Ferro), nº 49-3º.
Trava conhecimento com Ferreira de Castro, por volta dos anos quarenta, num café da Avenida da Liberdade, através do poeta açoriano Rebelo de Bettencourt.
1941 Publicação da conferência Aspectos da Moderna Literatura Brasileira, separata do “Boletim” do Liceu de Gil Vicente, em Lisboa.

1942 Professor no Liceu Nacional de Passos Manuel, em Lisboa.
Vem referenciado na Grande Enciclopédia Luso-Brasileira (1935-1960) onde se anuncia que Horácio Bento de Gouveia “tem em via de publicação um Panorama do Romance Português Moderno”.

1943-1946 Outubro: Professor no Liceu Nacional do Funchal, “Jaime Moniz”. Lecciona Português e Latim.
Reside com a família numa Pensão na Rua dos Netos, e de lá muda-se para um anexo na Rua da Ponte Nova.
1944 Conferência no Ateneu Comercial do Funchal: “O panorama do romance português”.

A criação literária: a vida ruralista da Madeira será o tema dominante nos seus primeiros romances com enfoque social.

1946-1947 Volta para Lisboa e é professor no Liceu D. João de Castro.
Inicia a escrita de Os Garipos e os Misérias.
19 de Abril de 1947: acidente de eléctrico na Rua Augusta, fractura da clavícula.
Maio de 1947: é, segundo o próprio, nessa altura, que se dá o primeiro encontro com Aquilino Ribeiro à porta da Livraria Bertrand, através do académico Hernâni Cidade.
Aquilino terá lido o dactiloscrito do romance Os Garipos e os Misérias, sem as emendas autógrafas, entre Outubro-Novembro de 1947 e 2 de Janeiro de 1948. Seguindo o conselho de Aquilino que achava o título “muito restritivo”, Horácio Bento muda o título e hesita entre A Canga e Ilhéus, acabando por optar, alegadamente forçado, pelo último.

O seu regresso definitivo à Madeira é sinónimo de monotonia e de estagnação “durante alguns anos”: há um silêncio literário.

1948 A 23 de Janeiro, é promovido de “professor auxiliar” a “professor efectivo”.
9 de Abril: regressa à Madeira e é Professor no Liceu Nacional do Funchal, onde lecciona até 1976.
Consoante os anos, ensina Português, Filosofia, Psicologia, História, Geografia e Organização Política e Administrativa da Nação.
Em Outubro, vem a hospedar-se na Rua da Carreira com a família, na Pensão Marques.
2 de Dezembro: é Secretário deste Liceu (vice-reitor).

1948-1949 Publicação de Ilhéus com prefácio de Aquilino Ribeiro. Edição da Coimbra Editora.
Nos seus três primeiros romances, virá aposta a informação de que tinha “em preparação” um trabalho sobre a obra de Aquilino Ribeiro.

Entrega-se àquilo que chama “seus errores mundanos.”

1949 16 de Junho: morte da esposa, Maria Elisa Madureira, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa.
1 de Outubro: Lição inaugural “A Língua Portuguesa”, na sessão de abertura do ano lectivo no Liceu Jaime Moniz.
Prefácio ao livro de poesia Horizonte: Poesia, de Manuel Correia Marques, Lisboa, s. n..
Dezembro: Conferência no Teatro Municipal subordinada ao tema “A língua factor de independência”.

1950 Obtém a carta de condução.

1951 8 de Outubro: é nomeado Professor de Psicologia aplicada à educação da Escola do Magistério Primário, que acumula com o serviço docente no Liceu Jaime Moniz.
Publicação da conferência Um tudo nada de Filosofia: O Homem e o Diário, em separata, proferida durante as Bodas de Diamante do Diário de Notícias.

1952 É apresentado ao crítico literário brasileiro e conferencista de renome, Agrippino Grieco, com quem passa a trocar correspondência.
10 de Junho: conferência sobre “Alguns factos contemporâneos de Camões”, no Liceu Jaime Moniz.
2 de Outubro: Lição subordinada ao tema “Há uma crise de pensamento” na abertura do ano liceal.

É abordado pela União Nacional no sentido de emprestar os seus talentos e prestígio a cerimónias oficiais e ao seu órgão de comunicação na Madeira.

1953 Publicação da conferência O Homem, A Música e O Ambiente (separata).
28 de Maio: é Director do semanário local A Voz da Madeira, por iniciativa da Comissão Distrital da União Nacional, presidida pelo Dr. Agostinho Cardoso.

1955 Outubro: lição inaugural do ano lectivo, no Liceu, com o tema “A bem da Língua Portuguesa e do estudante”.
Novembro: evoca o tema comemorativo “Vida de Mouzinho” no centenário do mesmo.

1956 Fevereiro: falecimento da mãe, D. Firmina M. de Ornelas Bento de Gouveia, no Funchal.
11 de Outubro: encontro com o romancista brasileiro José Lins do Rego, de passagem pela Madeira.
25 de Dezembro: morte do pai, Francisco Bento de Gouveia, em Lisboa.

Novo fulgor “na arte da escritura” e na sua vida afectiva.

1957 Agosto: primeiro encontro com a futura esposa numa jornada a bordo do paquete “Vera Cruz”.

1958 22 de Fevereiro: segundo casamento com Maria Amélia Viola Miranda, na Igreja do Monte, que se tornará a sua secretária, “crítica e conselheira”. Residem alguns meses na Rua dos Louros e mudam-se definitivamente para a casa da Rua do Lazareto, 31 (Portão 5).
1 de Outubro: Lição na abertura do ano lectivo sobre: “O amor que todos devem votar à língua materna”.
Dezembro: no Teatro Municipal, disserta acerca da peça “A Filha de Tristão das Damas e do seu Autor, Major Reis Gomes”, integrado nas festas da cidade, organizadas pelo Dr. Carlos Lélis.

1959 19 de Maio: nascimento do filho Horácio Miranda de Ornelas Bento de Gouveia.
Publicação de Lágrimas correndo mundo, edição da Coimbra Editora.
Está referenciado com poemas da sua autoria na Musa insular (Poetas da Madeira) de Luís Marino, Funchal, s. d..

O escritor de créditos firmados - Uma vida rotineira, intercalada por momentos de paixão pela escrita. A sua obra romanesca tende a abarcar o mundo rural e o mundo citadino.

1960 Fevereiro: reedição de Ilhéus com final acrescido de novos elementos diegéticos (dez páginas).
Julho: encontro com John dos Passos no Reid’s Hotel, com quem “conversou durante algum tempo” e a quem Horácio Bento “ofereceu o seu livro Ilhéus (2.ª edição).”
Sessão de abertura do ano escolar: “Pensar é o primeiro instrumento da vida de estudante.”

1961 Termina a terceira obra de ficção, Águas mansas.

1963 Publicação de Águas mansas, edição da Coimbra Editora, com prefácio de Carlos Lélis.
Horácio Bento revela na edição do seu terceiro romance ter em preparação, em nota bibliográfica, um romance cujo título previsto é O venezuelano. Tudo indica que se trata do projecto literário que virá a lume como Torna-viagem.

1966 Publicação do volume de crónicas Canhenhos da Ilha com 12 ilustrações de António Aragão. Edição da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal.

1969 Vem citado no Dicionário de Literatura (1ª ed., Porto: Figueirinhas) dirigido por Jacinto Prado Coelho, 2º. vol., na entrada “Madeira”. Lê-se no verbete: “Madeirense, Horácio Bento de Gouveia é dos actuais cultores do romance regional.”
Novembro-Dezembro: demite-se do cargo de director de A Voz da Madeira.

1970 Um excerto de Águas mansas é seleccionado para constar de uma antologia escolar: Vamos Ler: Livro de Língua Portuguesa – 5º classe, de Jaime Mota e Júlio Martins, Lisboa, Livraria Editora.

1971 Vem a reformar-se do serviço efectivo como professor, mas continua a leccionar, “por necessidade de serviço docente do Liceu”, no período de 1972 a 1976, como professor eventual. Dedica-se, a partir de então, “a escrever e a dar explicações” de Filosofia e de Português.

1972 Publicação do volume de crónicas e contos Alma Negra e Outras Almas, Edição de Autor, Funchal.
14 de Dezembro: conferências dos Drs. Horácio Bento de Gouveia e Adriano Moreira na sessão de encerramento da “Semana do Ultramar” no Teatro Municipal do Funchal.

1972-1973 Correspondência epistolar com Ferreira de Castro.

1974 5 de Dezembro: sai o folhetim-romance nº 1 de Ilhéus, apresentado como o “drama da colonia” no Jornal da Madeira, Funchal, p. 9.

1975 Publicação de Canga (3ª ed. de Ilhéus com texto refundido e carta de Aquilino ao Autor).
Prefácio ao romance Pernas ceifadas do estreante Maurício Melim Teixeira, ed. de Autor, Funchal.

1976 Publicação da tradução alemã de Águas mansas: Stille wasser von Madeira - Roman - Aus dem Portugiesischen ins Deutsche übertragen von Dr. Rolf Ulbrich, Berlin: Verlag J. Kleindienst.
Numa entrevista (DN, Funchal, 11-10-76), diz o escritor madeirense: “Espero que no fim do próximo ano o romance (Torna-viagem) se transplante das páginas dactilografadas para a letra de chumbo”.
16 de Maio: sai o folhetim-romance nº 1 de Canga no Diário de Notícias, Funchal, p.3.
A meados desse ano, Horácio Bento de Gouveia é a primeira figura a apresentar um programa da sua autoria na delegação da RTP-Madeira intitulado “Dentro do Espaço e do Tempo”, que vai estar “no ar” cerca de cinco anos.
15 de Outubro: sai o folhetim-romance nº 1 de Águas mansas no Diário de Notícias, Funchal, p.3.

1977 Março e Abril: viagem pela Europa com a família – Dinamarca, Suécia, Áustria e Itália, experiência que valerá ao romance Margareta algumas páginas, em que o escritor faz coincidir a acção em que evoluem as personagens com a data e lugar da sua estada.

1978 Dezembro: a escritora Judite Navarro conclui uma adaptação de Canga para o teatro radiofónico (RDP / Madeira). No mesmo mês, é anunciado o início dos ensaios do filme A Canga, cujo guião e produção são da responsabilidade de José Luís Cabrita. Mas, por falta de verba, nenhum dos projectos se concretiza.

A consagração e as homenagens.

1979 9 de Maio: lançamento de Torna-viagem - O romance do emigrante, nas instalações da Coimbra Editora.
11 de Maio: Homenagem na Casa da Madeira em Lisboa - é João David Pinto Correia quem profere a conferência sobre a obra bentiana.
Junho: defesa da dissertação de Doutoramento de Gregory F. Rocha, Jr., apresentada à Universidade de Harvard: A Novelist of the madeiran experience: the life and works of Horacio Bento de Gouveia (Harvard Archives: HU 90.11365.70 Harvard Depositary)
Francis Millet Rogers, Professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Harvard, dedica-lhe alguns parágrafos no seu estudo Atlantic islanders of the Azores and Madeira, pp. 391 e 394-397.

O romancista volta-se para a vida citadina e procura dissecar o quotidiano do Funchal e do Mundo.

1980 7 de Janeiro a 7 de Junho: é, segundo o autor em entrevista publicada no DN, Funchal, 29 de Junho desse ano, o período de gestação do romance Margareta.
19 de Outubro: a Câmara Municipal de São Vicente presta-lhe significativa homenagem: descerra uma lápide na Casa do Ladrilho, em Ponta Delgada, lança a monografia de Manuel F. Rosa intitulada Horácio Bento de Gouveia – Escritor ilhéu e populista – Ensaio de entendimento e atribui-lhe a Medalha de Ouro do Concelho de São Vicente.
22 de Outubro: lançamento de Margareta - Romance da cidade e do mundo. Edição da Câmara Municipal do Funchal.
23 de Outubro: o escritor recebe a Medalha de Ouro da Cidade do Funchal e o seu nome é atribuído a uma Escola Preparatória do Funchal pelo Governo Regional da Madeira.
4 de Novembro: jantar de homenagem promovido pela Ilhatur, dirigida pela jornalista Maria Mendonça, no restaurante o Pátio. É-lhe oferecido uma medalha com a sua efígie.

1981 Início da redacção de Luísa Marta que, segundo o filho, vai levar “cerca de um ano”.

Horácio Bento assume de novo o seu pendor pelo memorialismo e pelo intimismo: as suas predilectas fontes de inspiração.

1982 Concluído o romance Luísa Marta, o escritor contacta a Coimbra Editora e aguarda resposta quanto à sua publicação.
Recensão crítica do romance Margareta na revista Colóquio / Letras, nº 69, edição da F.C.G., pelo académico e ensaísta Álvaro Salema.
Texto-prefácio ao opúsculo Lapsos literários: “Errare humanum est” de Luís Marino. Funchal [s.n. D.L. 1982], Funchal: Edit. Eco.

1983 13 de Janeiro: última colaboração na imprensa com o artigo intitulado “Da linguagem – Mau português” no Diário de Notícias do Funchal.
14 de Janeiro a 23 de Maio: o escritor fica em coma (A.V.C.).
23 de Maio: morte de Horácio Bento de Gouveia no Funchal, vítima de problemas cardiovasculares. O funeral realiza-se no cemitério de Nossa Senhora das Angústias, em São Martinho, no dia 24.
Além das ficções e crónicas que deixou, o que a memória colectiva madeirense registou foi a sua colaboração a) na imprensa escrita, nomeadamente nos Diário da Madeira, Jornal da Madeira, Diário de Notícias, de que foi redactor desde 1 de Outubro de 1960, Eco do Funchal e a Voz da Madeira, semanário de que foi director, e nas revistas Das Artes e da História da Madeira e Revista Portuguesa; b) na imprensa radiofónica e televisiva, designadamente em programas de índole linguística e cultural na RTP-Madeira e na Rádio da Madeira, ora no programa “Do Homem e da Vida”, ora em “Encontros com a Região”, da autoria da Dr.ª Margarida Macedo Silva, no qual teve parte activa; c) a memória registou ainda o eloquente orador, regularmente convidado a proferir conferências e palestras de elevado nível cultural em cerimónias oficiais e privadas.

A resistência da obra e da memória ao tempo

1986 Publicação do romance póstumo Luísa Marta - Ficção e memória, com prefácio do filho Horácio Miranda de Ornelas Bento de Gouveia e texto fixado por D. Amélia Bento de Gouveia e José António Gonçalves, Secretaria Regional do Turismo e Cultura do Governo Regional da Madeira.
Agosto: inauguração de uma artéria com o seu nome em Ponta Delgada.

1990 Na antevéspera da morte de Ferreira de Castro, três cartas suas dirigidas a Horácio Bento de Gouveia são publicadas em O escritor, nº6 – Revista da Associação Portuguesa de Escritores, com nota de José António Gonçalves.
Trechos do romance Canga constam de uma antologia de textos de escritores madeirenses: Narrativa literária de autores da Madeira – Séc. XX, Funchal, Secretaria Regional do Turismo, Cultura e Emigração – D.R.A.C.. (Selecção de textos, prefácio e notas de Nelson Veríssimo)

1994 Publicação de Crónicas do Norte. Coordenação e prefácio de José António Gonçalves. Edição da Câmara Municipal de São Vicente.
Criação do “prémio literário Horácio Bento de Gouveia”, a assinalar as comemorações dos 250 anos do Concelho de São Vicente.
Giampaolo Tonini, Professor de Língua e Literatura Portuguesa da Universidade de Pádua, situa e passa em revista a ficção bentiana, no artigo “Contributo allo studio della storia letteraria di Madeira: cultura, società e sentimento dell’insularità nella poesia e nella narrativa degli ultimi vent’anni”, publicado em Rosa dos ventos, Università di Padova – Pubblicazioni della sezione di portughese dell’Istituto di lingue e letterature romanze, 7, pp. 146-150.

1995 Reedição de Torna-viagem - O romance do emigrante. Funchal: Editorial Correio da Madeira. (Col. “Obra Completa de Horácio Bento de Gouveia”)

1997 Uma carta de Horácio Bento de Gouveia, com data de 20 de Julho de 1963, dirigida ao seu Professor e amigo, foi seleccionada para integrar o volume Correspondência de Rodrigues Lapa: selecção 1929-1985, publicação que a Câmara de Anadia promoveu em homenagem ao conhecido linguista e estilista. Coimbra: Minerva, p. 299.

1998 Maio: por iniciativa da filha e do genro do escritor, é inaugurada a Casa-Museu do Dr. Horácio Bento de Gouveia, na Casa do Ladrilho, onde o escritor nasceu, viveu a sua infância e adolescência, e onde, homem feito, passava férias.
Opúsculo de José Abel Caldeira: Recordando o Dr. Horácio Bento de Gouveia, Eco do Funchal.

1999 Maio: publicação da Colectânea de conferências, notícias e artigos da 1ª Exposição Bio-Bibliográfica na Casa-Museu do Dr. Horácio Bento de Gouveia, Ponta-Delgada, Ilha da Madeira, Maio 1998.
Dissertação de Mestrado em Língua Portuguesa – Moderna e Contemporânea de Maria Graziela Fernandes Camacho, apresentada à Universidade Católica Portuguesa – Funchal: A Insularidade no romance de Horácio Bento de Gouveia – Uma introdução à sua obra.

2000 Massimo Bussone dedica-lhe uma dezena de páginas na sua Dissertação de Licenciatura (Tesi di Laurea) em Língua e Literatura Portuguesa, apresentada ao Istituto Universitario Orientale Napoli, Facoltà di Lingue e Letterature Straniere – Madeira: Un’isola, una letteratura, pp. 22-36.

As comemorações do centenário do seu nascimento.

2001 29 de Setembro: publicação de Escritos da juventude 1919-1930 de Horácio Bento de Gouveia, compilados pela filha Maria de Fátima Gouveia Soares, com prefácio de Agustina Bessa-Luís. Editorial Eco do Funchal.
19 de Dezembro: publicação de O natal na cidade, a festa no campo, uma colectânea de textos de Horácio Bento de Gouveia sobre o Natal madeirense, Funchal, Secretaria Regional do Turismo e da Cultura - DRAC (Selecção de textos e nota de apresentação de Nelson Veríssimo).


Advertência

Não foi possível verificar devidamente alguns dos dados apresentados, como exige o escrúpulo científico, por nem sempre se poder consultar fontes documentadas. Casos houve em que documentos oficiais relativos à carreira docente de Horácio Bento de Gouveia se contradiziam nas datas. É, aliás, sabido que o próprio escritor gostava de confundir datas, nomeadamente a do ano do seu nascimento. Haverá, claro está, factos, indicações ou referências por completar ou acrescentar ou corrigir: mais que uma construção assente, o conhecimento é uma reconstrução em movimento perpétuo.


Ficha técnica:

Elaboração: Thierry Proença dos Santos
Colaboração: Amélia Viola Miranda Bento de Gouveia, Maria de Fátima de Ornelas Gouveia Soares, Horácio Miranda de Ornelas Bento de Gouveia, Américo Soares, Nelson Veríssimo, José António Gonçalves.


Principais fontes escritas:

Diário de Notícias, Jornal da Madeira e Voz da Madeira, Luísa Marta, correspondência privada do escritor, Tertúlia sem título (Jornalistas da Madeira).


Agradecimentos pelas informações prestadas:

Escola Secundária Jaime Moniz do Funchal
Escola Secundária Gil Vicente de Lisboa.


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